quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Classificação Etária de Videogames e Animações (E porque é tão importante que os pais a verifiquem e respeitem)

Não é a primeira vez que me deparo com a seguinte cena, e nem por isso fico menos chocado: Em uma loja de eletrônicos qualquer, um pai (ou mãe) compra para seu filho de sete anos de idade, um jogo chamado "Assassins Creed", cujo tema é assassinatos em série. O jogo esbanja conteúdo violento e sexual. Veja bem. A criança tem sete anos de idade! Acontece que existe no rótulo do jogo uma classificação etária chamada de ESRB pelos americanos, algo como "Tabela Etária para Softwares de Entretenimento", que está ali, bem visível mais precisamente na diagonal inferior esquerda. É aquele quadradinho preto e branco com um enorme M estampado que indica que o jogo é adequado para maiores de 17 anos! Falo mais sobre essa classificação adiante. 

Não é minha ideia aqui condenar os jogos deste tipo (até porque gosto muito de Assassins Creed, hehehe), mas é tentar tornar um pouco mais claro que assim como os filmes, tanto os jogos quanto os desenhos animados possuem gêneros e classificações etárias específicas. Existem animações para bebês, com conteúdo simples e suave, como existem animações eróticas com conteúdo extremamente explícito e violento. E entre esses dois extremos, há uma infinidade de gêneros e subgêneros inimaginável, cada qual, destinada a um público de idades e gostos específicos. O mesmo vale para os videogames. Enquanto num lado, temos jogos simples, que envolvem atividades como estourar balões e ver bichinhos fofos saltando, no outro lado, temos jogos em que o bom desempenho sexual do personagem é crucial para que ele prossiga na aventura. O grande mal do público brasileiro em geral, é considerar desenhos animados e videogames como "coisa de criança" e colocar todo esse tipo de mídia no mesmo patamar. Uma vez (há muuuuuuuito tempo atrás), vi uma cópia da animação "Akira" um dos desenhos animados mais violentos que eu conheço (e um dos meus favoritos também) na prateleira de uma locadora ao lado da "Pequena Sereia" e dos "Ursinhos Carinhosos". 

Por isso, acredito que os pais devem ficar extremamente atentos ao fornecer esse tipo de conteúdo aos seus filhos. Há de se verificar junto à embalagem do produto, para qual faixa etária e para qual público o produto é destinado. Em caso de dúvidas, consulte o atendente ou vendedor do estabelecimento, mas evite entregar esse tipo de material para seu filho antes da hora. Tenho certeza que no momento e idades certas, ele vai curtir bastante. Esse tipo de descuidado dos pais gera um outro problema que é a criação de rótulos difamatórios para os videogames. Há uma crença de que os jogos criam pequenos psicopatas, enquanto sérias pesquisas estão provando o contrário, pois os jogos estimulam a atividade cerebral, aumentam a tolerância à frustração e podem sim, ser um grande meio de convívio social! (quem diria!) Basta que os pais assumam a sua responsabilidade de serem os "filtros" dos conteúdos que devem chegar aos seus filhos. É uma tarefa fácil? Não senhor! Como se não bastasse a insistência da criança, que todos nós sabemos o quão persuasiva ela pode ser, ainda temos o fator amigo, vizinho, primo ou colega que têm o jogo e cedo ou tarde vai acabar mostrando para seu filho (e pode ter certeza que seu filho vai adorar!). Proibir veemente, na minha opinião, só aguça a curiosidade e torna o acesso ao conteúdo mais excitante e perigoso (e por isso mesmo, muito mais desejável). Não há muito o que fazer, não conheço fórmula que resolva este problema além do bom e velho diálogo e da ciência de nós, como pais, do conteúdo que a criança irá presenciar. Converse com seu filho sobre o que ele está vendo, explique que não é adequado à idade dele, mas não proíba. Para facilitar o entendimento da tabela ESRB que é em inglês, vou destrinchá-la aqui para que vocês possam sempre consultar em caso de dúvida:



EC - Primeira Infância: Títulos classificados com EC contém conteúdo adequado para crianças de 3 anos ou mais. Não contém nenhuma espécie de material que os pais possam considerar inadequado.

E - Todos: Títulos classificados com E contém conteúdo adequado para crianças de 6 anos ou mais. Pode conter leve violência cartunesca ou fantasiosa, bem como, uso esporádico de linguajar mediano. (tipo, Ora bolas!)

E+10 - Todos acima de 10 anos: Títulos classificados com E+10 contém conteúdo adequado para crianças de 10 anos ou mais. Pode conter moderada violência cartunesca ou fantasiosa, bem como, linguajar mediano e/ou temas sugestivos (sensuais - um personagem com um decotinho mais curto já entra nessa categoria, e eu lembro de pequeno, ver o Xou da Xuxa, rsrsrs).

T - Adolescentes: Títulos classificados com T contém conteúdo adequado para pessoas maiores de 13 anos. Títulos nesta categoria podem conter violência, temas sugestivos, humor grosseiro, aparição mínima de sangue, jogatina e/ou uso pouco frequente de linguajar vulgar.

M - Maduros: Títulos classificados com M contém conteúdo adequado para pessoas maiores de 17 anos. Títulos nesta categoria podem conter violência intensa, sangue e entranhas, moderado conteúdo sexual e/ou linguagem vulgar.

Ao - Apenas Adultos: Títulos classificados com Ao contém conteúdo que deve ser jogado apenas por maiores de 18 anos. Títulos nesta categoria podem conter cenas de violência intensa e prolongada, forte conteúdo sexual e nudez.

RP - Classificação Pendente: Títulos classificados com RP, estão ainda em fase de desenvolvimento esperando a classificação definitiva da ESRB. Esse selo somente é visto em protótipos e material de divulgação do jogo (trailers, cartazes) antes de seu lançamento.

Para finalizar esse longuíssimo post, gostaria de recomendar os jogos e videogames da Nintendo. A empresa japonesa é a casa do carismático Mario e dos Pokémon, e praticamente qualquer um de seus jogos é adequado ao público infantil (mas os adultos aqui de casa não param de jogar também ;P). São de um modo geral, vibrantes, divertidos, coloridos e ainda assim, desafiadores. Vale a pena dar uma pesquisada na biblioteca de títulos que a empresa tem a oferecer. Seu console atual é o Nintendo Switch, que vem com propostas bastante criativas. Deixem os Xboxes e os Playstations para os maiorzinhos... 

Abraços e obrigado pela leitura. (parabéns aos que chegaram até aqui!)
Fabiano Pandolfi

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Nintendo Labo - Um risco muito bem-vindo!




Eis que a Nintendo avisa seus fãs que fará um anúncio importante durante a noite. Todos ficam empolgados! O que será? Mario? Zelda? Pokémon no Switch? Metroid?
A hora mais aguardada do dia para todo bom Nintendista finalmente chega e o que vemos é COMPLETAMENTE DIFERENTE do que qualquer um poderia estar esperando. A reação foi imediata: O Nintendo Labo dividiu o público rapidamente. Alguns ficaram apaixonados, outros, extremamente raivosos, prontos para atear fogo no Shigeru Miyamoto vivo envolto em um manto de papelão. Vamos agora analisar essa nova ideia da Big N.

ANALISANDO O PAPELÃO


Não é de hoje, todos nós, desde quando somos pequenos Goombinhas, vamos adquirindo e formulando uma opinião de como as coisas precisam e devem ser. Quando damos de cara com algo tão fora da caixa (fora da caixa, hã? HÃ?!) ficamos incrédulos e relutantes. O que a Nintendo oferece é um pacotão com LITERALMENTE um cartela de papelão, alguns acessórios e lápis de colorir, onde o jogador poderá passar horas montando diversos aparatos para combinar com o seu Nintendo Switch. Sim, confesso que a primeira vista essa maluquice causa uma estranheza sem proporções, ainda mais sendo largada aleatóriamente na internet em uma noite de quarta-feira. Mas vamos pensar com um pouquinho mais de carinho: o Nintendo Labo é assim tão ruim como muitos estão dizendo? Na opinião deste humilde escritor-goombano, não.


BRINCANDO COM O NOVO


Deixando o lado fanboy de lado (é meio óbvio que tenho uma certa paixão pela Nintendo, não é? Bom, se não era, dê uma segunda olhada no nome do blog) eu realmente achei a ideia do Nintendo Labo super divertida e interessante! NÃO, ele não é um produto para o público gamer geral, a maioria dos hardcore gamers vão odiá-lo infinitamente e eu não os julgo e nem os culpo por isso, cada um tem seu gosto e sua opinião. PORÉM, muitos estão vendo apenas o lado superficial deste papelãozinho chamado Labo. Imagine uma família dos dias de hoje. É difícil, hoje em dia, ver uma família fazendo algo lado a lado tendo o mundo no alcance do bolso sempre que precisa. Todos ficam vidrados em seus pequenos mundinhos, as vezes passando longe da imagem que se espera de uma família. Isso é errado? Não sei dizer, os tempos mudaram, assim como as pessoas, mas uma coisa para mim ainda é bastante clara: as pessoas só tendem a ganhar quando interagem umas com as outras de forma. Quando vivem de verdade. Imagine uma família completamente desunida, onde a irmãzinha mais nova pede de natal um Nintendo Labo. QUE IDIOTICE, QUE IRMÃ IMBECIL! COM TANTOS JOGOS NO MUNDO ELA ESCOLHEU BEM ESSE FEITO DE PAPELÃO? OH GOD! Calma lá! Ela abre o seu pacotinho de Labo na maior humildade e começa a tentar montar as diversas formas que o jogo possibilita. O irmão mais velho acha uma idiotice, mas pouco a pouco, começa a se aproximar dela, pra observar melhor. Ela pede ajuda para os pais e eles começam a ajudá-la a montar o quebra-cabeças. Aos poucos, todos estão conectados e empenhados em montar aquelas estranhas figuras de papelão. Considerando um final feliz, no fim da noite, todos estão se divertindo e jogando juntos, até mesmo dando risada do papelão que foi rasgado (menos a pessoa que pagou pelo game, que está raivosa putaça). Esse, para mim, parece ser o maior trunfo do Labo, um jogo diferente que com certeza irá render boas risadas ou pelo menos fotos engraçadas de quem estiver jogando. Afinal, quem não quer fazer um stories vestido de robôzão?


O LADO NINTENDO

Caro leitor, você pode odiar com todo o seu coração esta empresa responsável por criar ícones como Mario e Link. Mas você precisa admitir: eles tem coragem.

Lançar um jogo completamente maluco, estranho, digno de memes instantâneos em pleno 2018, o ano onde todos estão preocupados com qual console tem a maior capacidade de gerar texturas incríveis em rochas? Não consigo enxergar a Sony ou a Microsoft se arriscando tanto assim.
Riscos são ótimos para toda indústria que se considera criativa. "Ahhh Sr.Goomba, essa coisa vai fracassar!" Claro, o Nintendo Labo com toda e absoluta certeza pode fracassar completamente! Mas ainda assim, existe a dúvida em jogo. E é com isso que fico mais admirado neste momento, foi isso que me trouxe um sorriso largo e cheio de dentes no momento em que assisti ao trailer desta nova maneira de jogar. O risco e o otimismo. A Nintendo nunca demonstrou tanto seu coração quanto no dia de hoje. Ela nunca demonstrou o quanto não liga para o que as pessoas esperam de um jogo ou de um conceito. A empresa se abraçou em seus pedacinhos de papelão com todo o coração e humildade, sorrindo para o público, sem se importar com aqueles que com certeza jogariam tomate. Ela arriscou em sua ideia e se tudo der errado, de que importa? A vida é feita de erros e acertos, o importante é agitar as coisas, não morrer na mesmice. Se tudo der errado, podemos nos erguer, com um sorriso e seguir nosso caminho vestidos de robô gigante de papel, não é?

Eu estou do lado Labo da festa, e você?


-por Jordan "Granatto" Nugem




domingo, 14 de janeiro de 2018

Miss Kobayashi's Dragon Maid


Um dos animes mais comentados de 2017 foi o segundo mais recente da Kyoto Animation, chamado Miss Kobayashi's Dragon Maid. Aclamado pela crítica e público, também se tornou sensação na internet com inúmeros memes feitos em cima do trabalho. Mas sucesso não é garantia de qualidade pra mim.

Algo me deixava incerto se deveria assistir a essa série. Grande parte da exposição que recebia era devido ao seu conteúdo de fanservice e estereótipos. Me passou a impressão de que o humor era centrado somente nestes elementos e que era apenas um anime bobinho de comédia sem nenhuma sustância, feito para atrair a nata do público otaku. Contudo, decidi assisti-lo para tirar minhas próprias conclusões.

PERSONAGENS

Tudo começa quando a "Dona" Kobayashi, uma programadora de 20 e poucos anos de idade, enche a cara após um exaustivo dia de trabalho e vai parar numa floresta. Lá encontra um enorme dragão que ameaça matá-la, mas ela tava tão chapada que retira uma espada fincada no dragão, oferece saquê a ele e o convida para sua casa.


Acontece que esse dragão na verdade é uma fêmea (uma...dragoa? Essa palavra existe?), chamada Tooru. Como forma de gratidão por ter retirado a espada de suas costas, ela aceita o convite da Kobayashi e se oferece para ser sua empregada, assumindo uma forma humana. Diferente de sua nova dona, uma mulher estoica mas amável, Tooru é alegre e carismática, sempre com um sorriso no rosto.


No universo da série, os dragões são seres de outro mundo que conseguem transitar entre o dos humanos. A presença de Tooru atrai outros dragões para Kobayashi e sua nova empregada, com o primeiro deles sendo a Kanna. Por ser um dragão novo….com 200 anos de idade, ela assume a forma de uma criança e age como uma – apesar de ser pouco birrenta se for comparada com a maioria das crianças –, tratando a Kobayashi como uma mãe.

Uma característica marcante sua é que sempre está com a mesma expressão facial de indiferença, mesmo que esteja empolgada ou triste.

Após insistir muito, Kanna começa a frequentar a escola, onde se torna a criança mais popular. Lá ela conhece a Riko Saikawa, uma garota que inicialmente age com hostilidade à pobre dragoa, mas logo é conquistada por sua amabilidade e fofura, chegando a desenvolver uma paixonite por ela.

Uma relação inocente entre crianças? Não é bem assim... (mais detalhes na próxima seção)

Depois quem chega é a Quetzalcoatl, mais conhecida como Lucoa, uma ex-Deusa que perdeu seu título de divindade no mundo dos dragões após se embriagar e causar um escândalo. Eu deveria dizer que, apesar dela ser gentil e amigável, escândalos são sua especialidade, tudo graças a sua voluptuosidade, ressaltada por suas roupinhas inadequadas.

Exagero é pouco para descrevê-la...

Procurando um lugar para ficar, Lucoa vai parar na casa do Shouta, um garotinho filho de magos que a invoca após um ritual. Sem saber como agradar crianças, ela constantemente oferece seu corpo ao pobre coitado que sempre fica constrangido e sem saber como reagir.

Não é só ele quem fica constrangido...

O próximo a aparecer é o Fafnir, um dragão apático e hostil que sente aversão por seres humanos e quer matar todos eles. Mas ele é o famoso cão que ladra e não morde, porque tudo o que faz no mundo dos humanos é jogar video-games, e muito! Ele é tão viciado que vira noites em claro jogando no computador.


Fafnir se hospeda na casa do Takiya, um programador colega de trabalho da Kobayashi. Ele parece ser um cara normal quando está trabalhando, mas na verdade é um nerd otaku que adora video-games e tem inúmeros pôsteres de garotas de anime em seu quarto. Ele até muda sua aparência e jeito de falar quando está empolgado com seus games.

Esses dois formam uma dupla divertida e mais interessante do que se aparenta.

O último dragão a dar sua graça é a Elma. Procurando resolver algumas pendências com a Tooru, ela é ingênua demais para ser levada a sério e acaba sendo relegada. Um simples pacote de pão cremoso foi o suficiente para fazê-la esquecer seus problemas, pois é fascinada pelas comidas do mundo dos humanos.


Esse é o elenco de personagens o qual acompanhamos a vida diária que, apesar da convivência com dragões, é comum e tranquila à maior parte do tempo. Vemos a Tooru se adaptando à vida de uma empregada humana, a Kanna frequentando a escola, o trabalho desgastante da Kobayashi, as jogatinas do Fafnir com o Takiya, as peripécias da Lucoa com o Shouta, entre outros eventos da vida dessa galera.

ESTILO

Maid Dragon é aquele anime que você olha a capa e pensa "Hmm, as personagens são mais peitudas que o normal, então deve ser uma série com o humor focado no fanservice", e é exatamente isso. Se você já leu alguns reviews meus, sabe como eu desprezo fanservice e não seria diferente com essa série. Apesar de não ser tão exagerado como eu imaginava, ele tá sempre presente e às vezes é incômodo, especialmente quando envolve crianças.

Tome um shot de vodka a cada piada com peitos que é feita e você acordará num hospital.

Além do fanservice, grande parte do humor se sustenta em estereótipos de animes. Empregadas já são um clichê por si só; o Fafnir se enquadra naquilo que chamam de personagem tsundere; e aí tem o infame estereótipo de lolis, explorado em demasia com a Kanna.

Uma personagem é considerada loli quando é uma criança (ou quando tem um corpo subdesenvolvido) e a mostram de maneiras com que as pessoas possam sentir algum tipo de atração. Isso é muito errado. Apesar de sua personagem não se resumir só a isso, a Kanna infelizmente se enquadra nessa descrição e esse não é o único problema relacionado a ela.

O problema mais grave de Maid Dragon é o fato de que simplesmente não existe inocência nas crianças da obra. Toda piada que as envolvem tem alguma insinuação sexual no meio. Uma piada recorrente é a da Riko surtar sempre que a Kanna encosta nela, quase como se estivesse tendo um orgasmo.

Parece bobinho, mas tem um episódio que as duas ficam uma em cima da outra, NAQUELAS POSIÇÕES, com uma conversa que não faz o mínimo esforço pra esconder a tensão sexual entre as duas. Tem até um outro momento em que a Kanna chupa os dedos da Riko. Isso é errado pra caralho.


Outra personagem que abusa desse problema é a Lucoa com a sua relação com o Shouta. Todas, absolutamente TODAS as piadas que envolvem os dois são ela constrangendo o garoto com seu corpo de maneira sugestiva. Mesmo quando não está junto dele seu único propósito é ser um objeto de desejo sexual, não tem um momento sequer que ela se destaque fora desse âmbito. É a personagem mais rasa do anime, só existe pelo fanservice.


Mas não é só de defeitos que o humor da série é composto, também têm diversos acertos. Grande parte dos personagens são cômicos por natureza, como a Tooru e suas tentativas de ganhar o coração da sua dona e fazê-la comer o seu rabo (calma calma, dessa vez estou falando literalmente do rabo de dragão dela, com sua carne comestível!), a Elma e seu fascínio por comidas, a Kobayashi sempre que fica bêbada, a Kanna quando engole tudo o que vê pela frente... Melhor ainda é quando essas figuras se juntam. A química entre eles é um dos pontos altos da obra.

Tooru oferecendo seu rabo para a Kobayashi.

O meu dragão favorito é o Fafnir. A repulsa que sente por seres humanos junto da sua fixação por video-games são duas coisas tão dissonantes que fazem dele um personagem divertidíssimo. Sempre rio quando ele fala qualquer coisa relacionada a morte e quando expressa sua repugnância por humanos aos próprios.

Nada melhor do que se apresentar numa peça para idosos falando "Humanos patéticos!"

Durante cada episódio têm umas pequenas esquetes estilo Nichijou (leia meu review) com um humor mais direto ao ponto, divertidas e fofas. Até a maneira como são introduzidas é cômica, com cinco caracteres surgindo um por um e formando uma expressão, um emoticon ou algo abstrato. Os títulos dos episódios também merecem destaque por se comunicarem diretamente com o telespectador, quebrando a quarta parede.


Apesar do gênero principal ser slice of life, essa não deixa de ser uma obra fantasiosa, então têm alguns momentos em que os dragões usam seus poderes. Simples lutinhas e jogos de queimada se elevam a proporções épicas, com explosões, destruições, raios e até kamehamehas. Aí você une tudo isso ao trabalho de animação incrível da KyoAni e temos um verdadeiro espetáculo visual.


Contudo, apesar de ser uma série de comédia, sua verdadeira fundação está nos temas que trata. Aceitação pessoal, família, encontrar seu lugar no mundo, importância de pessoas queridas... São esses temas que giram o enredo e foi exatamente o que mais me surpreendeu, além de contar com inúmeras análises sobre o comportamento humano que proporcionam boas reflexões.

A relação da Kobayashi com a Tooru é muito bonita, pois uma completa a outra. Antes da dragoa aparecer em sua vida, ela era mais quieta e pouco sociável. Sua convivência com a nova empregada e com a Kanna trouxeram uma felicidade que transformou a vida dessa que outrora era uma programadora infeliz. O mesmo pode ser dito para a Tooru, que aprendeu valores humanos, os quais fizeram dela uma pessoa melhor.


Outra representação mais sutil de afetividade pode ser vista na relação entre o Fafnir e o Takiya. A hospitalidade do rapaz faz com que o dragão tenha uma nova visão a respeito dos humanos, realçada por sua convivência com suas amizades. Por não ser bom com palavras, ele demonstra sua afeição por meio de pequenas ações. Em uma cena, ele sabe que vai chover e que o Takiya vai se molhar, então já deixa uma toalha e roupas preparadas para quando seu parceiro chegar em casa.

                      

O foco da série nesse tipo de desenvolvimento me surpreendeu diversas vezes, como em um episódio que se autoentitula o episódio de fanservice por ter cenas de praia, mas apenas uns 20% servem essa finalidade, com os 80% restantes sendo usados para abordar o passado da Tooru e da Kobayashi – fundamentando um pouco mais de suas personalidades – e para mostrar uma representação afetiva da importância de eventos de animes aos fãs. "As pessoas são atraídas para esse lugar porque tem algo especial que só existe aqui", se referindo não somente às atrações, mas também à experiência de viver aquele momento.


Maid Dragon é um caso estranho, pois é um anime que seria ótimo de se assistir com a família devido aos temas que trata com honestidade, mas tem uma grande parcela de conteúdo que o torna altamente desaconselhável de se assistir com seus parentes e com qualquer um que não esteja familiarizado com animações japonesas.

ARTE

Bom, o character design tem que sustentar um dos pilares da série que é o fanservice, então quase todas as personagens femininas tem seios enormes e sempre mostram as curvas de seus corpos, especialmente a Lucoa. Só a Kobayashi que é uma tábua, mas isso faz parte do humor da obra. Apesar de eu geralmente não gostar de designs com essa finalidade, não dá pra negar que os personagens de Maid Dragon exalam carisma.

Eu gosto do estilo da vestimenta dos dragões. A Tooru usa um avental comum de empregada, mas unido de seus chifres e um rabo enorme de dragão, temos uma combinação única. A Lucoa está sempre com roupas um tanto reveladoras, como shortinhos e camisetas regatas com decotes, o que combina com sua personalidade despreocupada.

A Kanna é a mais estilosa, com suas roupas esotéricas cheias de adornos e adereços, lembrando um pouco uma indiana, só que branca. A Elma se destaca quando está vestida formalmente para o trabalho, simplesmente por não combinar nada com sua personalidade. O Fafnir se veste como um mordomo normal, então não tem muito o que se destacar, a não ser o fato de que você não costuma ouvir um mordomo dizendo que vai matar todos os humanos.


Algo que me fascina são os olhos dos dragões em suas formas humanas. O motivo é bem simples, na realidade – são olhos de dragões.....em corpos humanos. O design deles é quase hipnotizante, me lembra joias raras, poderia ficar encarando-os durante um dia inteiro, especialmente os da Tooru.


Mas o que mais se destaca na arte da série são os cenários. Enquanto os personagens são desenhados de maneira "comum", com traços bem definidos e colorização padrão, o desenho dos backgrounds beira o impressionismo, seguindo uma estética de rascunho com linhas bruscas, espaços em branco e pintura estilo aquarela. Chega a ser cômico ver os personagens interagindo com esses cenários em alguns momentos. É um dos charmes da obra.


Maid Dragon não chega a ser um esplendor visual como Nichijou, mas ainda assim é um trabalho com um visual distinto e fantasticamente trazido à vida pelo trabalho sempre competente da KyoAni.

ÁUDIO

A trilha sonora... Ela... Bom... Uh... É, acho que não tenho nada a falar sobre a trilha. As músicas são divertidinhas, grande parte delas são arranjos de uma mesma composição, mas nada que fique na sua cabeça por muito tempo. Elas combinam com o clima da série, mas são esquecíveis.

                        

Já a abertura de Maid Dragon é algo especial. Além da música ser incrivelmente cativante, com um pegada estilo disco no início, a animação é peculiar no melhor sentido da palavra, cheia de excentricidade, com os dragões requebrando seus quadris, códigos saindo da tela do computador, flores brotando cabeças, a Tooru correndo enquanto cria rastros psicodélicos do seu corpo e muito mais.

Mas nada supera a parte dos helicópteros humanos. Eu não sei dizer o porquê, mas esse trecho me proporciona uma felicidade tão grande que me dá até calafrios. São somente pessoas sorridentes girando no céu, mas é uma paisagem que consegue ser indescritivelmente bela. É uma das aberturas de anime mais divertidas que existe.

                       

E acho que é só isso que tenho a dizer sobre a parte sonora da série. A música de encerramento é bonitinha, a dublagem é boa e os efeitos sonoros também, mas nada que mereça destaque.

CONCLUSÃO

Miss Kobayashi's Dragon Maid superou minhas expectativas. Ao ver as imagens e memes, jamais imaginei que essa obra teria um coração tão grande, que trata de temas essenciais para uma pessoa de maneira honesta e as vezes até sentimental, sem nunca parecer forçado. Mas o fanservice exagerado e o tratamento longe de ser inocente dado às crianças são defeitos que subtraíram meu desfrute. É um anime bom, mas não tão memorável como outros trabalhos do estúdio.



-por Vinicius "vini64" Pires

Leia também minhas outras análises sobre animações:

sábado, 6 de janeiro de 2018

Vini64's Weeb Awards - 1ª Edição (2017)

Em 2017 assisti a diversos animes, dos quais alguns deixaram grandes marcas em minha pessoa. Seguindo o exemplo de uma ilustríssima amiga, decidi fazer uma premiação a fim de prestigiar essas obras. Portanto, sejam bem-vindos à edição inaugural do...

VINI64’S WEEB AWARDS!!!

Sim, quero iniciar desse jeito bem brega :P
Primeiro de tudo, listarei aqui todos os animes que assisti em 2017, em ordem de lançamento. Os nomes em itálico são filmes.

[1960] 1. Saiyuuki
[1978] 2. Perrine Monogatari
[1992] 3. Yu Yu Hakusho [DROPEI]
[1995] 4. Ghost in the Shell
[1995] 5. Neon Genesis Evangelion
[1997] 6. Neon Genesis Evangelion: Death & Rebirth
[1997] 7. The End of Evangelion

[1998] 8. Sakura Card Captors
[1999] 9. Sakura Card Captors Filme 1
[2000] 10. Sakura Card Captors: A Carta Selada

[2000] 11. FLCL
[2006] 12. The Melancholy of Haruhi Suzumiya (1ª temporada)
[2007] 13. Evangelion: 1.0 You Are (Not) Alone
[2008] 14. Kaiji (1ª temporada)
[2009] 15. K-ON! (1ª temporada)
[2009] 16. Evangelion: 2.0 You Can (Not) Advance
[2009] 17. The Melancholy of Haruhi Suzumiya (2ª temporada)
[2010] 18. K-ON!! (2ª temporada)
[2010] 19. The Disappearance of Haruhi Suzumiya
[2011] 20. Kaiji (2ª temporada)
[2011] 21. Nichijou
[2011] 22. K-ON! Movie
[2012] 23. Inferno Cop
[2012] 24. Chuunibyou demo Koi ga Shitai!
[2012] 25. Evangelion: 3.0 You Can (Not) Redo
[2013] 26. Little Witch Academia (OVA)
[2013] 27. Kill la Kill
[2013] 28. Yama no Susume (1ª temporada)
[2014] 29. Yama no Susume (2ª temporada)
[2014] 30. Chuunibyou demo Koi ga Shitai! Ren
[2015] 31. Little Witch Academia: The Enchanted Parade
[2016] 32. Boku no Hero Academia (1ª temporada)
[2016] 33. Space Patrol Luluco
[2016] 34. Amaama to Inazuma [DROPEI]
[2016] 35. In This Corner of the World
[2016] 36. Kimi no Na wa

[2017] 37. Little Witch Academia (TV)
[2017] 38. Miss Kobayashi’s Maid Dragon
[2017] 39. Boku no Hero Academia (2ª temporada)
[2017] 40. Made in Abyss
[2017] 41. Sakura Card Captors: Sakura and the Two Bears (OVA)


Agora, aos meus cinco favoritos dentre todos que listei.

5º LUGAR
Chuunibyou demo Koi ga Shitai! (as duas temporadas)


Quem diria que um anime que assisti em qualidade ruim por pura curiosidade me introduziria ao estúdio que viria a se tornar o meu segundo favorito. Chuunibyou foi o primeiro trabalho que assisti da KyoAni e me mostrou os altos padrões visuais e de animação do estúdio. A obra me cativou com seus personagens carismáticos e a química entre eles, me arrancando diversas risadas e sorrisos. O show principal fica por conta do relacionamento entre a Rikka e o Yuuta, um dos casais mais especiais que existem pra mim. É muito heartwarming os dois juntos.

Leia minha análise completa aqui.

4º LUGAR
Neon Genesis Evangelion


O único anime que assisti novamente logo depois de assistir a primeira vez, de tão intrigante que é. Acho difícil que exista um anime que explore melhor o psicológico de seus personagens do que Evangelion. Em um roteiro que conta com extraterrestres, robôs e simbolismos religiosos, o que mais se destaca são seus personagens com inúmeras camadas de profundidade, os quais proporcionam questionamentos essenciais para nós como seres humanos. Pode parecer um papo pretensioso, mas Evangelion sabe retratar relações humanas conturbadas de maneira crível como poucas animações conseguem.

Leia minha análise completa aqui.

3º LUGAR
Little Witch Academia (TV)


Depois de ficar "meh" com o OVA original e adorar The Enchanted Parade, fui para a série de TV de Little Witch Academia com expectativas altas e essas foram atendidas. Além de ser visualmente fantástica e extremamente divertida, LWA é uma obra surpreendentemente inspiradora. A determinação da Akko em realizar seu sonho com tantos obstáculos à sua frente graças à fé que tem em sua maior inspiração é algo que me inspira incrivelmente. Sua jornada é como a de todos que querem crescer fazendo uso de seu maior talento.

Leia minha análise completa aqui.

2º LUGAR
K-ON! (as duas temporadas + filme)


Se teve um anime que me surpreendeu esse ano foi K-ON!. Imaginei que fosse apenas uma série divertidinha de garotas fofas fazendo coisas fofas, mas é MUITO mais do que isso. De baixo desse pretexto há uma obra sentimental e inspiradora, cheia de detalhes sutis, com uma direção humana e sensível, feita com muita paixão e carinho.

Leia minha análise completa aqui.

1º LUGAR
Sakura Card Captors


Decidi assistir ao episódio inicial por curiosidade, sem pretensão de seguir em frente com os demais. Acontece que eu adorei esse primeiro, então fui assistindo mais alguns. Quando me dei por conta, estava apaixonado. Apesar de Sakura ser uma série com muita fantasia, sua verdadeira fundação está nos sentimentos. A mágica da obra se encontra na maneira sensível e afetiva como os relacionamentos entre os personagens são retratados. É uma série que me encheu de ternura durante todos os seus 70 episódios.

Leia minha análise completa aqui.

MENÇÕES HONROSAS

Haruhi Suzumiya


Quando cheguei ao fim da 2ª temporada de Haruhi, fiquei triste que tinha assistido ao primeiro trabalho ruim da KyoAni. Personagens mal explorados, história desinteressante e uma protagonista insuportável. Aí fui assistir ao filme, The Disappearance of Haruhi Suzumiya. Quase 3 horas de duração. Uma obra-prima. Assisti duas vezes em menos de 24h. Mudou minha visão sobre tudo que diz respeito a Haruhi. Defeitos que eu tinha visto na série adquiriram outro significado. Me deixou até com vontade de ler a light novel e ver como a história continua.

O filme entra facilmente no meu top 5 dos favoritos desse ano, mas preferi deixar o conjunto da obra de Haruhi como um todo nas menções honrosas por ser um dos trabalhos mais intrigantes que já vi. É mais do que uma simples animação, é uma experiência.

Análise detalhada em breve!

Yama no Susume

                    

Um anime sobre garotas fofas e montanhismo, o que pode dar errado? Bom, na verdade, tem um detalhe muito errado em alguns episódios de Yama no Susume, mas no geral é uma obra aconchegante e bonita, especialmente no que se refere ao visual. Me deixou com uma vontade enorme de trilhar as montanhas do Japão e funciona como um guia turístico do país.

Leia minha análise completa aqui.


Nichijou


Um dos animes mais únicos da história. Seu mérito artístico é incontestável: o character design, a distribuição de cores, a expressividade da animação, as incontáveis expressões faciais... Tudo que diz respeito ao visual da obra é incrível e singular. O departamento de áudio também brilha com sua trilha sonora orquestrada, dublagem excepcional e efeitos sonoros icônicos. O humor, seu maior selling point, é um tanto hit or miss, mas com um elenco de personagens tão carismáticos e diversos é impossível não se divertir com as situações aleatórias mostradas.

Leia minha análise completa aqui.

Kaiji (2ª temporada)


Depois da decepção que tive com a 1ª temporada (mais detalhes abaixo), a continuação me agradou mais do que imaginei. Dessa vez a série consegue manter seu tom pessimista, mas sem exagerar como na temporada anterior, e os desafios que o protagonista participa são mais envolventes, devido à profundidade que é dada às circunstâncias de cada jogo e aos pensamentos dos personagens durante a tensão das apostas.

Miss Kobayashi’s Maid Dragon


Imaginei que este fosse apenas um anime de humor fanservice, mas fui surpreendido com uma obra cuja os temas que movem o enredo são família, aceitação de diferenças e "a procura do seu lugar no mundo". A série tem seus defeitos, como o fanservice inconveniente e alguns momentos desnecessariamente pervertidos, mas o coração dela se encontra no relacionamento entre os personagens, retratado de maneira muito honesta e afetiva, que conta com diversas análises do comportamento humano.

Análise detalhada em breve!

Made in Abyss


Considerado por muitos o grande anime de 2017, Made in Abyss merece todo o mérito que está recebendo. O mundo da obra é fascinante, os cenários são de tirar o fôlego, a jornada dos protagonistas consegue ser envolvente em apenas 13 episódios e a trilha sonora é uma lindeza. Entretanto, a série tem um defeito contundente que diminui seu mérito e não pode ser ignorado – o fetiche que o autor do mangá tem por crianças, com diversos momentos sexualmente sugestivos. Isso vai além de um simples fanservice, é uma doença.

MENÇÕES DESONROSAS

Kaiji (1ª temporada)


A série começa interessante com jogos de azar normais, mas aí depois, lá pelo episódio 10, começam uns jogos sadistas de pessoas agonizando de dor e morrendo. Em um dos arcos o protagonista aposta a audição dele e fica com uma engenhoca presa no ouvido com uma broca que aos poucos vai se aproximando dos tímpanos dele. Parecia que eu estava assistindo a um filme animado de Jogos Mortais, sem contar o pessimismo exacerbado da obra. Tudo bem que ela retrata o lado sombrio da sociedade e das pessoas, mas quando a lição de moral é "Se você não é rico, merece morrer", aí é forçar um pouco a barra.

Evangelion 3.0: You Can (Not) Redo


Imagine que está escrevendo uma história incrível, chegou até o clímax, aí você tem a brilhante ideia de jogar fora tudo o que construiu e continuar a história como se fosse uma obra completamente diferente. Isso é o terceiro filme da série Rebuild of Evangelion. Ainda não compreendo exatamente como essa produção tem "Evangelion" no nome, especialmente devido às sequências de ação bombásticas estilo filme hollywoodiano.

Saiyuuki


Um filme de 1960 tão chato que me fez cochilar no meio. Isso que assisti com amigos. Nem o fato de ter um personagem que foi a inspiração do Shigeru Miyamoto para criar o Bowser salva essa animação que é tipo um bootleg da Disney.

Amaama to Inazuma


A melhor definição pra descrever esse aqui é "nada acontece feijoada". Eu achei que seria um anime fofo sobre uma relação de pai e filha, mas na verdade é sobre comida. Todos os episódios seguem a mesma fórmula – primeira metade: algo de fofo relacionado à garotinha / segunda metade: eles cozinhando alguma coisa. Não curto culinária e esse é o foco do anime, então...

Yu Yu Hakusho



Esse anime até começa legal, com arcos que mostram diferentes situações com os personagens, mas aí eles decidem abrir mão dessa diversidade para favorecer um arco de torneio ridiculamente maçante e repetitivo com QUARENTA episódios. Não aguentei, dropei.

PRÊMIOS TÉCNICOS

Para encerrar, gostaria de premiar os animes que assisti em categorias estilo Oscar, mas mostrando o segundo colocado junto do primeiro. A única regra é a de que o mesmo anime não pode ocupar as duas colocações para evitar monopólios, como aconteceria na categoria de Melhor Ending em que os meus dois encerramentos favoritos são de Little Witch Academia.

Eu pensei em justificar minhas escolhas, mas é só ler meus textos referentes a cada uma dessas obras para explicações detalhadas de cada um desses aspectos.

MELHOR TRILHA SONORA
// Vencedor: K-ON!
/ Runner-up: Sakura Card Captors

MELHOR ARTE
// Vencedor: Nichijou
/ Runner-up: Made in Abyss

MELHOR ENREDO
// Vencedor: The Disappearance of Haruhi Suzumiya
/ Runner-up: Neon Genesis Evangelion

MELHOR DIREÇÃO
// Vencedora: Naoko Yamada – K-ON!
/ Runner-up: Tatsuya Ishihara – The Disappearance of Haruhi Suzumiya

MELHOR ABERTURA
// Vencedor: A Cruel Angel’s Thesis - Evangelion OP
/ Runner-up: Shiny Ray – Little Witch Academia OP1

MELHOR ENDING
// Vencedor: Hoshi wo Tadoreba – Little Witch Academia ED1
/ Runner-up: Hare Hare Yukai – The Melancholy of Haruhi Suzumiya ED1

MAIOR VALOR SENTIMENTAL
// Vencedor: Sakura Card Captors
/ Runner-up: K-ON!

PERSONAGEM FAVORITO
// Vencedora: Akko Kagari – Little Witch Academia
/ Runner-up: Kyon – The Melancholy/Disappearance of Haruhi Suzumiya

“NUNCA IMAGINEI QUE FOSSE GOSTAR TANTO” AWARD
// Vencedor: Sakura Card Captors
/ Runner-up: Chuunibyou demo Koi ga Shitai!

MELHOR ANIME DE MEIA DURAÇÃO
// Vencedor: Yama no Susume
/ Runner-up: Space Patrol Luluco

MELHOR FILME
// Vencedor: The Disappearance of Haruhi Suzumiya
/ Runner-up: K-ON! Movie

MELHOR ANIME LANÇADO EM 2017
// Vencedor: Little Witch Academia
/ Runner-up: Made in Abyss


Então é isso, garotada. Nos vemos novamente no fim do ano com Hibike! Euphonium ficando em primeiro lugar nos meus favoritos de 2018! (veremos se isso se concretizará :v)




-por Vinicius "vini64" Pires

Artigos sobre animes que escrevi em 2017:

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

K-ON!


Como podem perceber por meus reviews recentes, me interessei pelos animes do estúdio Kyoto Animation, popularmente conhecido como KyoAni. Seu trabalho de animação impecável e histórias focadas nas vidas diárias dos personagens chamaram minha atenção, então durante alguns meses estarei na missão de assistir todas as obras do estúdio. Pretendo escrever a respeito da grande maioria aqui no blog, independente se eu adorar ou odiar.

A terceira série que assisti talvez seja a mais famosa deles, visto que é amplamente conhecida tanto por fãs de animes quanto por leigos no assunto. Estou falando de K-ON!, sim, a animação de 2009 dita ser sobre "garotas fofas tomando chá e comendo doces" que fez um sucesso estrondoso e deixou uma marca permanente na indústria de animes. Mas como algo com uma premissa banal dessas pode ter sido tão bem sucedido? Será mesmo que a série é apenas sobre meninas fofas sendo fofas?

PERSONAGENS


K-ON! nos apresenta a vida de cinco garotas que participam do Clube de Música Leve, tocando um pop rock capaz de agradar a toda a escola. Elas formam uma banda chamada Ho-kago Tea Time, cuja tradução é Hora do Chá Pós-Aula. Esse nome diz muito sobre o grupo, pois o que mais fazem no clube é tomar chá e comer bolos saborosos. Treinar fica em segundo plano....ou talvez até em terceiro plano.


 A vocalista e guitarrista principal é a Yui Hirasawa, uma garota atrapalhada, extrovertida, um tanto desleixada, amante de doces e coisas fofas, que só foi aprender a tocar seu instrumento ao entrar por acidente no clube! Apesar disso, ela se apaixonou pelo instrumento, no sentido literal, pois ela paparica, veste e até mesmo dorme com a guitarra, chegando a apelidá-la de Giita.



 A baterista e presidente do clube se chama Ritsu Tainaka. Energética e divertida, ela raramente consegue ficar muito tempo parada e adora tirar sarro das suas amigas, levando bastante porrada no processo. Sua maior inspiração como instrumentista é o Keith Moon, da banda The Who, então gosto musical bom ela tem.



 A terceira integrante é a Mio Akiyama, baixista e também vocalista. Ela é tímida e se assusta com facilidade, mas é linda e carismática, conquistando corações por todo o colégio ao ponto de criarem um fã clube seu. Apesar de ter a mesma idade das outras, ela é a mais madura do grupo, procurando estabelecer ordem sempre que fogem muito do objetivo, apesar de não conseguir na maioria das vezes e ceder à tentação da hora do chá pós-aula.


Notem a atenciosidade da animação em mostrar os movimentos necessários para que ela consiga ajustar o baixo em seu corpo. É incrível.

A tecladista é a Tsumugi Kotobuki, apelidada de Mugi pelas garotas. Uma moça doce e afável, é a responsável pelas distrações do clube em não conseguir praticar, pois é quem traz os mais deliciosos chás e doces ao clube. Vinda de uma família riquíssima, ela tem um fascínio fora do comum pelo ordinário, ou seja, por tudo que diz respeito à vida mundana da classe média-baixa, como ir a um fast food, visitar uma lojinha de 1 real, ter um trabalho de meio período, entre outras coisas.

Qualquer coisinha, por mais pequena que seja, a deixa entusiasmada com facilidade.

Depois de um ano inteiro com o clube, as garotas fazem de tudo para encontrar uma quinta integrante. A apresentação incrível que fizeram na recepção dos calouros chamou a atenção de uma garota do 1º ano e então a banda encontrou seu novo membro – Azusa Nakano, guitarrista base. Mesmo sendo a caçula, ela tenta seguir os passos da Mio em manter a seriedade e praticar com a banda, mas é só colocar orelhas de gato nela e levar uns abraços bem apertados da Yui que essa fachada da Azunyan se dissipa.


 Todo clube de escola precisa de um professor orientador. No caso do Clube de Música Leve, a profª Sawako Yamanaka ficou encarregada dessa função, uma mulher bela e simpática que tenta parecer ser diligente e comportada, qualidades que realmente dizem respeito a sua pessoa, mas existe um lado de sua personalidade que só as garotas da banda conhecem. Um lado insano e selvagem, de quando ela foi integrante do mesmo clube há anos atrás, só que nessa época a música que tocavam estava longe de ser leve – era um heavy metal avassalador capaz de deixar até o Pantera no chão. Sawako era a guitarrista e fritava o instrumento até com os dentes.


Um de seus maiores passatempos é fazer as garotas vestirem fantasias embaraçosas.

A Yui tem uma amiga de infância que a acompanha em todas as escolas que estuda desde o pré, a Nodoka Manabe. O oposto de sua amiga avoada, ela é uma garota inteligente e estudiosa, membro do conselho estudantil que se torna presidente deste no 3º ano. Apesar da personalidade contrastante, Nodoka faz de tudo para ajudar a Yui e seu clube sempre que passam por dificuldades. Se não fosse por ela, a srta. Hirasawa teria um giz de cera em seu estômago até hoje.


 Outra pessoa próxima da Yui cuja personalidade é o inverso é sua irmã mais nova, Ui Hirasawa. Ela é uma dona de casa fantástica! Enquanto sua irmã fica esparramada no chão igual uma batata, Ui lava as roupas, organiza a casa e prepara a comida. Mas se tem algo que sabe fazer melhor do que cuidar da residência é amar sua irmã. O afeto que sente é impossível de ser medido, não há nada que a deixe mais feliz do que vê-la sorrindo e nada a deixa mais preocupada do que a cabeça de vento de sua irmã mais velha, tanto que começou a frequentar seu mesmo colégio para ficar sempre próxima dela.


A julgar pelas personalidades, é como se Ui fosse a irmã mais velha e Yui a caçula.

Ao entrar na escola, Ui e Azusa caíram na mesma sala. O grupinho delas inclui mais uma garota, Jun Suzuki, uma mocinha alegre e inquieta com um senso de ironia afiado. Ela cogitou entrar para o Clube de Música Leve antes da Azusa, mas a excentricidade do grupo não deixou uma impressão lá muito positiva, o que é de se esperar de qualquer pessoa com o mínimo de sanidade. Claro que ela se arrependeu depois ao saber que a Azusa tomava chás importados todo dia, mas aí já era tarde demais.


 As duas temporadas cobrem 3 anos da vida dessa galera toda. Apesar do foco principal ser nas garotas da banda, as outras personagens que mencionei também se destacam com frequência em inúmeros momentos, chegando a terem episódios centrados nelas. Até alguns rostos de mínima importância são explorados de maneira interessante, como as meninas do Clube de Ocultismo. Na primeira temporada, um episódio as mostra no 1º ano atuando de forma humilde, ainda no início de suas atividades. Já na segunda temporada as vemos no 3º ano, agora com um visual completamente diferente e uma sala toda produzida com o tema do clube.


Dá pra fazer um paralelo da evolução delas com os rostos familiares que conhecemos, mas que vemos com menos frequência, tornando as mudanças mais perceptíveis.

ESTILO

Quando disse que K-ON! deixou uma marca permanente na indústria dos animes me referia ao fato de que foi essa obra que popularizou o estilo moe, usado para definir produções com foco em personagens extremamente fofas, muitas vezes agindo de forma ingênua e boba. Acredito que apenas vemos as garotas ensaiando ou tocando pra valer em uns 30% da série – os outros 70% são reservados para as mais variadas situações da vida diária delas, como cuidar de uma tartaruga, tentar se concentrar para um prova, arranjar um trabalho de meio período, ir à praia ou a um festival, fazer uma guerra de travesseiros durante uma viagem, participar de uma maratona e muito, MUITO mais.

E temos momentos devastadores como esse. Um ato de crueldade impiedoso.

Devo dizer que, de início, a série não estava me agradando. Esse é um problema da primeira temporada – enquanto a segunda cobre 1 ano em 26 episódios, a anterior cobre 2 anos em 13. Isso faz com que tudo aconteça num ritmo indevidamente acelerado, o que me impossibilitou de absorver o conteúdo adequadamente, especialmente no que se refere à evolução das habilidades de guitarrista da Yui, abordada de maneira superficial.

Contudo, a amizade dessas meninas é retratada tão honestamente que é difícil não se deixar contagiar pela positividade desse relacionamento. É uma obra tão leve e agradável de assistir que te faz sentir um conforto enorme, além de te deixar com um sorriso no rosto durante todos os episódios. Eu entendo pessoas não gostarem de K-ON!, afinal, esse estilo não agrada a todos, mas como alguém pode odiar esse anime vai além da minha compreensão. Tem que ser muito sem coração.


 A série é pouco realista no sentido de não existirem momentos de conflito e drama, mas esse não é seu propósito. A obra foi feita com a intenção de te divertir, independente de quais problemas você esteja passando na vida. É uma forma de escapismo da dura realidade, mas uma que pode te ajudar a enfrentá-la com a melhor arma possível – um sorriso no rosto. Até aí você pode argumentar que qualquer série de comédia cumpre esse propósito, mas K-ON! se diferencia dessas por seu poder sentimental 
 o vínculo entre as garotas.

Apesar de ser completamente aceitável uma pessoa amar o anime por seu humor e personagens fofas, há muitas nuances por baixo dos panos que tornam essa obra tão especial. Em K-ON!, um momento de silêncio diz muito mais sobre um personagem do que diversos minutos repletos de falas. Um olhar, um sorriso ou um simples gesto são capazes de revelar tudo aquilo que se passa em sua cabeça. É nesses detalhes que o realismo da obra pode ser encontrado.



Até mesmo o mais ingênuo dos roteiros tem um propósito, por mais sutil que seja, como por exemplo o episódio em que a Mugi deseja apanhar das meninas. Avaliando superficialmente é apenas um enredo bobo e divertido, mas essa sua súbita vontade parte do anseio de querer ter mais contato físico com as garotas, pois ela percebe como isso as torna mais próximas umas das outras. É possível sentir como as personagens de K-ON! são genuinamente humanas, algo que poucas animações conseguem transmitir com tamanha fidelidade.

Aqueles que reclamam da falta de realismo falham em perceber a delicadeza de inúmeros momentos que nos fazem enxergar as personagens como pessoas igual a nós, como na cena abaixo. Ao dormir na casa de um amigo(a) na infância ou adolescência, quem nunca continuou conversando e rindo depois de apagadas as luzes? Uma cena simples, mas relacionável, realçada pelo silêncio da noite e por risadas pausadas, sem contar aquela risada falhada de porco que a Mugi espontaneamente solta. Um momento executado tão naturalmente que é como se fosse uma gravação da vida real e não uma cena de uma animação.



Mas nada disso que mencionei seria possível se não fosse o trabalho excepcional de um dos principais cargos na produção de uma animação.

DIREÇÃO

K-ON! superou minhas expectativas muito além do que imaginei, mas o aspecto que mais me fascinou foi a direção. Eu jamais pensei que um anime com uma proposta simplória dessas teria uma direção tão delicada e cheia de sutilezas, mas assim que é o trabalho da diretora Naoko Yamada. Ela não hesita em humanizar as personagens ao explorar de maneira formidável o espaço que estão inseridas e sua linguagem corporal.

Até o detalhe mais mínimo, como aquela joaninha no fio, tem sua finalidade  nesse caso, representar o ambiente leve e agradável que é a sala do clube das garotas.

As cenas que disponibilizei na seção anterior são ótimos exemplos da maestria da direção de Yamada. Essa a seguir também é. Os planos que mostram o colégio vazio, mesas sem ninguém, um guarda-chuva encostado na parede, uma garota preparando seu equipamento musical e a caminhada em direção à escola, nos ambientam, de forma sensível, nessa manhã agradável – reforçada pela leve iluminação de início de dia – que vem a ser o primeiro dia de aula das garotas em seu último ano. Mas o show fica por conta da performance improvisada da Yui, com enquadramentos que exploram sua expressão corporal e transmitem com excelência o estado emocional da personagem.



Outro exemplo fantástico pode ser encontrado nestes planos pós-aula que a série tem aos montes. A sala vazia, as garotas conversando com a iluminação do sol se pondo... É fácil de se sentir ambientado no momento, especialmente nesse caso, logo após um festival que movimentou a escola inteira, em que todo mundo se desgastou. Então elas estão ali, conversando e descansando depois de tanto esforço. É tão pacífico... Um plano que não deve durar nem 3 segundos direito consegue transmitir todas essas sensações.


 Já falei isso anteriormente, mas volto a reforçar – um dos aspectos mais fascinantes da série são os enquadramentos que exploram a linguagem corporal delas. Em muitos momentos nos é mostrado o que tal personagem está sentindo por meio de pequenos trejeitos, como uma inquietação nos pés, uma olhada para o lado, movimentos com as mãos... Não é só por expressões faciais que as pessoas expressam seus sentimentos e K-ON! soube abordar isso magistralmente.



 Claro, o trabalho de animação acima da média da KyoAni também é de suma importância em agregar mais qualidade à obra. O gif abaixo contém aqueles preciosismos de movimentação que eu amo. Observem como o levantar dela é minuciosamente animado com tamanho detalhe e realismo. Esse estúdio é mestre em animar tais movimentos triviais. Outros estúdios provavelmente cortariam para o close up no rosto dela assim que começasse a se levantar, enquanto aqui vemos o movimento completo.



 E segue outro exemplo disso, dessa vez com uma atuação transbordando de expressividade. Observe bem seu olhar e sua boca. Sério, isso chega a me dar calafrios. São poucos os estúdios que conseguem animar atuações tão convincentes e expressivas assim, ao ponto de você conseguir sentir as emoções da personagem sem nem precisar ouvir o que ela está falando.



 A direção impecável de Yamada é o principal fator que possibilita a nossa percepção de como as personagens são seres humanos vivendo suas vidas diárias, assim como nós, e permite que fiquemos familiarizados com o ambiente que vivem, como se fossem lugares que já visitamos um dia.


MÚSICA

Uma coisa que as pessoas precisam ter em mente ao assistir K-ON! é que não se trata de uma série sobre música, mas sobre amizade. O foco é na interação entre as garotas e no desenvolvimento de suas personalidades. Mas claro que a importância da música em suas vidas, assim como na de todos nós, é imensurável, pois é o laço que as mantém conectadas com tamanha sinergia.


 Mas antes de abordar as canções que elas tocam durante seus 3 anos colegiais, falarei sobre as temas de abertura e encerramento. Todas elas – ao todo 8, se contar o filme – são fantásticas e absurdamente cativantes. Eu poderia reservar um parágrafo para cada uma delas, mas gosto quase que igualmente de todas. Destaques especiais para a seção de Cagayake!GIRLS em que cada integrante fala seu nome, o solo de guitarra fritador de GO! GO! MANIAC, a orquestra de sonoridade fofa de Ichiban Ippai e a atitude cool de Don’t Say Lazy.


Contudo, se tem uma que merece um parágrafo individual é a terceira abertura, Utauyo!! MIRACLE. O que a torna tão especial, além da música em si, é a animação que a acompanha. É como se fosse um vídeo produzido pelas próprias meninas, com elas apresentando a si mesmas e seus instrumentos, e tocando para a classe, além de imagens que as mostram fazendo aquilo que sabem fazer de melhor – se divertir. Essa abertura é a que melhor representa o espírito da série, a música emana uma positividade energizante que sempre me deixa com vontade de fazer os gestos da Yui quando a escuto na rua. E esse sorriso dela seria capaz de colocar fim em uma guerra.



As animações dos encerramentos também merecem um parágrafo. São como se fossem clipes super produzidos de artistas famosos, com direito a diversos efeitos especiais e figurinos estilosos. Mas o que mais me chama a atenção neles é como a Ritsu posa de garota metida, contrastando completamente com a personalidade real dela.



No caso de K-ON!, não são apenas aberturas e encerramentos que te recordam da série ao escutá-las no dia-a-dia, mas também músicas que as próprias garotas tocam. São canções que representam suas personalidades e momentos inesquecíveis de suas vidas, compostas de corpo e alma.

Sempre que escuto as músicas da Ho-kago Tea Time um enorme sorriso se abre em meu rosto, pois elas capturam lindamente a essência da química entre essas meninas que torna a amizade delas tão especial. O som da banda é um pop rock com influências de punk e hard rock, com letras um tanto, digamos, distintas do que você imagina ao ouvir o instrumental. Quase todas as canções falam sobre amor, comida e, claro, do delicioso combo de chá e doces que deu nome ao grupo.


É difícil não ficar feliz com a aura alegre que suas músicas emanam. Pure Pure Heart e Watashi wa Koi no Hotchkiss com suas letras de amor melosas são a cara da Mio, Curry Nochi Rice e Gohan wa Okazu são como declarações das meninas ao amor que sentem por curry e arroz, enquanto Fude Pen ~Ball Pen~ é literalmente uma carta de amor a uma caneta que está sendo usada para escrever uma carta de amor. Garanto que você nunca leu a palavra amor tantas vezes em um único parágrafo como nesse :P



 Nem todas as músicas da banda são tocadas na série. Algumas só podem ser escutadas no álbum de estúdio Ho-kago Tea Time II, lançado após o término da segunda temporada. Um detalhe que considero fantástico é que alusões a algumas dessas canções são feitas ao longo do anime – alguns trechos das letras são mostrados durante as reuniões das meninas para pensar em músicas novas (Fuyu no Hi [ep. 13 temp. 1], Tokimeki Sugar [ep. 7 temp. 2]) e uma delas, Honey Sweet Tea Time (uma de minhas favoritas), chega até a ter sua melodia apresentada no teclado às garotas pela Mugi.




Mas existem três canções especiais que precisam ser abordadas particularmente. A primeira delas é Fuwa Fuwa Time (Hora Fofa-Fofa). Essa é a música principal da banda, o maior hit, assim como We Are the Champions é para o Queen e Money for Nothing é para o Dire Straits. Foi a primeira canção que compuseram e a reação inicial à letra da Mio foi documentada no episódio 5 da 1ª temporada. A reação não foi muito positiva por parte da profª Sawako e da Ritsu – elas acharam que morreriam de diabetes –, mas a Yui e a Mugi amaram. O pior é que até a letrista ficou com vergonha quando soube que precisaria interpretar sua criação ao vivo!

Kimi wo miteru to itsumo HEART DOKI DOKI (Quando olho pra você, meu coração fica todo acelerado) 
Yureru omoi wa MARSHMALLOW mitai ni fuwafuwa (Essa sensação agitante é fofa-fofa, como um marshmallow)

A letra pode ser bobinha, mas o que a torna tão especial é o fato de ter sido a chave dos momentos mais importantes da banda, como durante o festival do 1º ano, a primeira apresentação delas e um momento de superação, especialmente para a Mio; durante o festival do 2º ano em que a Yui chegou atrasada, a primeira vez que se apresentaram junto da Azusa, com direito a um bis improvisado devido à energia contagiante daquele momento incrível; e em diversas outras performances que proporcionaram a elas e ao público um fuwa fuwa time~.

Aptamente, é a última música que escutamos nos créditos do filme, a despedida de K-ON! depois de 41 episódios de pura alegria. Se não se emocionou com a canção durante qualquer um dos momentos que ela tocou anteriormente, é aqui que você cede às lágrimas de felicidade.


Uma das músicas mais emotivas é U&I. O título, além de ser uma abreviação de You and I (eu e você), também forma o nome Ui, a irmã de Yui, a quem essa canção é dedicada. Yui a compõe após um dia que Ui adoece e fica impossibilitada de fazer as tarefas de casa, aí percebe a importância de sua irmã caçula e a falta que faria em sua vida caso desaparecesse dela. Só essa justificativa já é o suficiente pra encher os olhos de qualquer um que conhece a relação dessas duas, mas a Yui não mediu esforços em exprimir na letra tudo aquilo que sentia do fundo do coração.

KIMI ga soba ni iru dakede itsumo yuuki moratteta (Simplesmente de estar ao seu lado você sempre me deu coragem) 
Itsumade demo isshoni itai (Eu quero estar com você hoje e para sempre) 
Kono kimochi wo tsutaetai yo (Eu quero te contar que é assim como me sinto) 
Hare no hi ni mo ame no hi mo (Seja embaixo de sol ou chuva) 
KIMI wa soba ni ite kureta (Você sempre esteve perto de mim quando eu precisava)
Me wo tojireba KIMI no egao kagayaiteru (Sempre que fecho meus olhos consigo ver seu sorriso brilhando intensamente)

Com esse propósito fraternal e por ter estreado durante a última apresentação das meninas no festival escolar, os sentimentos que essa canção retrata nos dominam da cabeça aos pés e são convertidos em baldes de lágrimas. U&I é uma carta de amor escrita com toda a afetividade do mundo.


Aí temos a músical final, Tenshi ni Fureta yo! (Tocamos em um anjo!). Essa é literalmente a música final, porque foi a última vez que tocaram juntas como membros do Clube de Música Leve no dia da formatura, o último dia de aula. A canção é uma despedida das quatro meninas à Azusa, feita em segredo como uma surpresa para a caçula da banda. Não preciso nem dizer que uma cachoeira se rompeu tanto em meus olhos como nos da Azunyan durante a apresentação.

demo ne, aeta yo! suteki na tenshi ni (Mas nós conhecemos um maravilhoso anjo) 
sotsugyou wa owari ja nai (A graduação não é o fim) 
kore kara mo nakama dakara (Nós continuaremos amigas daqui em frente) 
issho no shashintachi (Fotos de nós juntas)
osoro no KIIHORUDAA (Nossos chaveiros que combinam) 
itsumademo kagayaiteru (Brilharão para sempre)
zutto sono egao arigatou (E novamente, nós te agradecemos por seu sorriso!)

A importância da Azusa para as garotas e vice-versa é tão intensa que o enredo principal do filme não é a viagem delas para Londres, mas sim todo o processo de composição dessa canção. Vemos a diligência delas em impedir que a mocinha descubra o que estão planejando e como o vislumbre de uma pomba branca voando nos céus após uma súbita corrente de vento as propiciou o termo “anjo” para descrever a Azusa.

K-ON! pode não ser uma série que explore devidamente as dificuldades de se fazer música, mas se tem algo que ela sabe explorar são sentimentos. Alegria, gratidão, felicidade, amabilidade... Quando você une todos esses sentimentos a essa mídia poderosa que é a música, o resultado é um produto que se instaura em seu coração, capaz de iluminar o seu caminho.

tobikiri no yume to deai kureta (Conseguimos encontrar um sonho extraordinário) 
ongaku ni arigatou (Então agradecemos a música por isso)
eki no HOOMU kawara no michi (Na plataforma da estação, às margens de um rio) 
hanaretete mo onaji sora miagete (Mesmo se estivermos separadas, podemos olhar para o mesmo céu) 
YUNIZON de utaou! (E cantar em uníssono!)


*enxugados os olhos* E quase que eu me esqueço de falar da trilha sonora de fundo! São composições agradáveis e alegres que combinam perfeitamente com o conteúdo da série. Creio que algumas delas exerçam funções terapêuticas pelo tanto que as considero relaxantes, como Karui Joudan, Cotton Candy e Crepe wa Ikaga? (essa inclusive me lembra MUITO a trilha sonora dos jogos Animal Crossing), já outras me deixam eufórico, como Doki Doki Friday Night, Pinch Daisuki e Tanpopo Takkyubin, e algumas delas são a Yui personificada em ondas sonoras, como em Happy languidness e Patrol of stroll. Mas não há dúvidas que a música mais marcante e que mais remete a K-ON! é essa aqui:


INSPIRAÇÃO

Se você, pessoa cética que critica K-ON! sem nem ter assistido, ainda não ficou convencida do valor da obra mesmo depois de tudo que escrevi, gostaria de te apresentar as seguintes postagens:

https://www.reddit.com/r/k_on/comments/7knfa0/how_many_of_you_have_picked_up_an_instrument_or/

https://myanimelist.net/forum/?topicid=77470&show=0


Esses tópicos mostram inúmeros relatos de pessoas que foram inspiradas pelo conteúdo da série. Sim, esse anime bobo sobre garotas tomando chá e comendo bolo despertou um interesse na vida dessas pessoas, algo que pode ser usado para desenvolver talentos, para realização pessoal e talvez até profissional.

Eu mesmo vou comprar um teclado agora no começo do ano, um instrumento pelo qual sempre tive interesse em aprender, mas minha experiência com K-ON! foi o gatilho para eu tomar a decisão de finalmente comprá-lo e quem sabe desenvolver uma nova paixão, assim como aconteceu com uma certa mocinha...



 A 1ª temporada pode ser um tanto inferior à segunda, mas se tem algo incrível nela é você assistir ao seu primeiro episódio e ao último e notar como a Yui amadureceu seu pensamento. Enquanto no início ela não tinha nada que a motivasse a fazer algo de útil na vida, ao entrar no Clube de Música Leve e começar a praticar guitarra, todas suas ações passaram a se refletir nessa atividade que começou a moldar sua vida. No primeiro episódio ela corre despretensiosamente em direção a escola, sem preocupações. Já no último, ela corre dedicadamente com um único propósito em mente – dar mais um passo de superação com sua apresentação no festival.



 Yui encontra algo que ama fazer ao começar a tocar guitarra, algo que transforma sua vida. Essa sua paixão, também compartilhada pelas outras garotas do grupo e evidente nas composições e apresentações que fazem juntas, é possivelmente o aspecto mais importante da série e o que a torna tão inspiradora para mim, para os indivíduos desses tópicos que compartilhei e sabe-se lá para mais quantas centenas de pessoas espalhadas pelo mundo.


CONCLUSÃO


K-ON! definitivamente não é apenas uma série divertida sobre garotas fofas fazendo coisas fofas. De baixo desse pretexto há uma obra sentimental e inspiradora, cheia de detalhes sutis, com uma direção humana e sensível, feita com muita paixão e carinho. A todos aqueles que demonizam o anime pela overdose de fofura e falta de seriedade, o que me resta é lhes deixar com a seguinte mensagem de sabedoria:

"Coisas divertidas são divertidas".


-por Vinicius "vini64" Pires

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