quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Little Witch Academia


Eu sou uma pessoa muito retrô. A vasta maioria dos animes que vejo são de 10 a 50 anos atrás. Mas existem algumas produções mais recentes pelas quais me interessei, como Jojo’s Bizarre Adventure, Boku no Hero Academia e a série deste artigo que vos escrevo.

Little Witch Academia
é uma animação japonesa de 2017 produzida pelo Studio Trigger, um estúdio novo, fundado nesta década, mas já famoso graças a essa obra e a um anime chamado Kill la Kill, de 2013. Este não me chamou muito a atenção devido ao seu conteúdo vulgarizado – apesar de eu tê-lo assistido inteiro recentemente –, mas Little Witch me ganhou só pelas imagens de suas personagens carismáticas e pela premissa de uma garota atrapalhada treinando para se tornar uma grande bruxa.

PERSONAGENS

A protagonista é a Atsuko Kagari, mais conhecida como Akko, uma garota extrovertida, determinada e destrambelhada. Diferente de todas as outras alunas da escola de bruxas Luna Nova, Akko é apenas uma garota normal, então suas investidas no uso de magia são sempre uma caixinha de surpresas, geralmente pendendo para o lado negativo. A energia dessa menina é contagiante – duvido você não ficar com um baita sorriso no rosto com sua expressividade exagerada e suas risadas carregadas da mais pura alegria.


Mas talvez a característica mais marcante da Akko seja a inspiração inabalável que sente por uma bruxa chamada Shiny Chariot. Seus olhos brilham mais que a luz do sol quando pensa nessa figura, cuja é sua maior motivação para realizar seu sonho – se tornar uma bruxa que trará alegria a todos com sua magia brilhante e excitante, assim como seu ídolo. Apesar de Chariot ter uma fama negativa no mundo da feitiçaria, a menina não se importa nem um tiquinho com isso e, sempre que tem a oportunidade, grita do fundo de seu coração como virará uma bruxa maravilhosa igual ela.

Akko com uma carta de sua grande inspiração.

A Akko tem duas melhores amigas na escola. Uma delas é a Lotte Yanson, uma doce e amável mocinha que dá o melhor de si para ajudar sua amiga atrapalhada, mesmo com todas as peripécias que apronta. Ela é muito tímida e introvertida, mas tem uma linda voz de canto capaz de se comunicar com espíritos que residem em objetos antigos.

Fofa. Adoro ela muito muito muito.

A outra melhor amiga é a Sucy Manbavaran, uma garota apática e sinistra, fascinada por cogumelos venenosos com os quais faz macabras poções e sempre usa a Akko de cobaia para testá-las. As únicas coisas que botam um sorriso em seu rosto são assuntos de morte e ver o caos instaurado nos lugares. Apesar dessa descrição que afastaria qualquer um dela, a Sucy no fundo é uma boa pessoa, e só uma garota irradiante como a Akko para mostrar que existe um brilho em seu coração.


Mesmo com suas pífias habilidades mágicas, a Akko tem uma rival em Luna Nova….pelo menos é assim que ela enxerga a Diana Cavendish, aluna mais prestigiada do colégio, capaz de executar as mais avançadas magias e dotada de quase todo o conhecimento do mundo das bruxas. Há quem ache que ela é apenas uma patricinha esnobe e invejosa, mas não é bem assim. Abordarei esse assunto mais pra frente no artigo.


Ao seu lado estão sempre a Hannah e a Barbara, duas frescas que ficam paparicando a Diana por cada passo que dá e zombando a Akko por sua inabilidade em usar magia. Mas diferente de sua hábil amiga, que a despreza com “propriedade” de acordo com seus ideais, essas são duas inúteis que não sabem fazer nada além de lamber as botas da Srta. Cavendish, enquanto a Akko tem uma ambição de vida e dá o melhor de si, mesmo com todas as adversidades que enfrenta.

Nem sei por que gastei um parágrafo falando dessas duas nojentas.

Já apresentei dois trios de amizade, mas ainda falta um! O trio composto por Amanda O’Neill, uma delinquente metida a garoto, mas exímia dançarina; a Constanze Amalie von Braunschbank-Albrechtsberger, uma baixinha engenheira eletrônica que constrói robôs e mecanismos avançados, mas é muda e odeia gente barulhenta; e a Jasminka Antonenko, uma gordinha sorridente que não para de comer um segundo sequer e tem um estoque infinito de comida.


No colégio, apenas uma professora simpatiza com a atrapalhada protagonista - a Ursula Callistis. Diferente de todo o corpo docente, ela é jovem e bonita, e é a única entusiasmada em ajudar a Akko a realizar seu sonho. Mas apesar de parecer uma simples professora nova, muito mistério ronda a sua pessoa...


O resto do corpo docente é composto por diversas senhoras e anciãs das mais variadas personalidades. Tem a diretora condescendente, a rígida coordenadora, a treinadora de voo machona, a especialista em poções louca de pedra e até uma professora que é um peixe!


Porém, na segunda metade da série, uma figura enigmática se junta ao elenco de professoras - a bruxa Croix. Como se o seu visual já não entregasse, ela é especializada em magia moderna e faz uso de tudo que há de tecnológico e digital no mundo. Ela chega à Luna Nova com o intuito de mudar a imagem - em sua concepção - obsoleta da magia e acertar umas pendências do passado com a profª Ursula.

Ah, ela também é viciada em Cup Noodles. Quem não curte um miojinho, não é mesmo?

E sim, a série tem personagens masculinos! Mas são poucos e o único de grande relevância é o Andrew da família Hanbridge, uma das mais influentes do país na política. Assim como seu pai, tem uma visão negativa da magia, mesmo sendo amigo de infância da Diana, que é uma das bruxas mais formidáveis da atualidade. Mas essa sua impressão começa a mudar ao conhecer uma bruxinha peculiar chamada Akko Kagari.


Mas antes de mergulhar de cabeça na série, gostaria de falar um pouco sobre as duas produções que a precederam e que possibilitaram sua existência.

O CAMINHO ATÉ A SÉRIE


Little Witch Academia nasceu em 2013 com um curta de 23 minutos, parte do Young Animator’s Training Project, uma iniciativa do governo japonês focada em capacitar novos animadores a trabalhar na indústria de animes. Yoh Yoshinari, que já trabalhou como animador chave em grandes séries como Neon Genesis Evangelion (meu review) e Tengen Toppa Gurren Lagann, ficou encarregado de liderar o projeto. 

Ele atuou como diretor, animador e supervisor da pequena equipe de jovens, guiando-os para que aprendessem o máximo possível sobre técnicas de animação, com muita prática envolvida. Toda essa atenciosidade e dedicação surtiu resultado – o curta foi altamente aclamado pelo público em seu lançamento, com diversos elogios ao trabalho de animação vivo e fluído, e também ao carisma de suas personagens, cujo design foi feito pelo próprio Yoshinari. O trabalho competente do diretor pode ser conferido neste making of de mais de 1 hora de duração (apenas com legendas em inglês).

                                  

Sinceramente, eu não sou um grande fã do primeiro curta. Seu ritmo acelerado com pouco tempo para respiros não me agrada muito. É possível entender que existe essa garota comum, em meio a diversas bruxas, que é vista com maus olhos na escola devido à sua inspiração frívola e que ela quer ser como seu ídolo, mas a breve duração da produção faz com que tudo aconteça depressa demais. Isso impossibilita que esse universo que nos foi apresentado seja explorado da maneira devida, deixando um gostinho de “quero mais” na boca, especialmente em relação às suas personagens cheias de potencial.


Por sorte, esse gostinho veio a ser saciado com a sequência lançada em 2015, The Enchanted Parade. Agora com 55 minutos de duração, Yoshinari retornou com a mesma equipe de jovens para executar o projeto, dessa vez possibilitado graças à ajuda de crowdfunding via Kickstarter. O sucesso da produção de 2013 foi tão grande que a campanha do site atingiu sua meta de 150 mil dólares em apenas 5 horas e arrecadou um total de $625,518! Com esse orçamento, foi possível produzir uma obra mais completa e de qualidade ainda maior do que a anterior. O esforço da equipe foi documentado novamente em um making of que mostra os apertos e sofrimentos dessa árdua profissão de animador.

                                  

Porém, quando o resultado dessas adversidades é um produto como The Enchanted Parade, a sensação de gratificação deve ser enorme. A obra retifica tudo o que me incomodou na anterior – a duração maior permite com que o ritmo seja mais pacífico e que as situações sejam abordadas de um jeito que nos possibilita absorvê-las devidamente.

Não há nada que te aproxime mais de um personagem do que um momento de reflexão durante o pôr-do-sol.

Mas a grande vitória dessa animação está no desenvolvimento das personagens e em seus relacionamentos. As características e trejeitos de suas personalidades, brevemente mostrados no curta de 2013, são amplamente expandidos e melhor explorados. Essa obra definiu a maneira de agir e pensar de cada um deles e elevou seus carismas a um nível extremo, sem contar que foi aqui que o trio Amanda, Constanze e Jasminka foi introduzido. Eu já apresentei todas as personagens na primeira seção desse artigo e mostrei como as adoro, então pelo foco deste filme ser a relação entre estas, ele me ganhou por completo.

Boa, Yoshinari!

O fato de essas duas produções terem sido lançadas antes da série cria uma experiência inédita se você os assiste antes, como eu, pois a série mostra como a Akko entrou na escola de bruxas, então logo no começo do primeiro episódio quando ela tá super empolgada por estar indo à Luna Nova, você também fica todo alegre por já conhecer essa personagem e um pouco de sua história. 
Ver como ela, a Lotte e a Sucy se conhecem é mais envolvente quando já assistiu às duas obras anteriores por já saber como elas são amigas inseparáveis no futuro. O fato de já conhecer a Amanda, a Constanze e a Jasminka faz com que sua reação à primeira aparição delas na série não seja “Olha, três personagens novas. Legal.”, mas sim “Aeeee, o trio de garotas que ajudou a Akko a organizar a parada Happy Time! YAYYY!!”. Isso agrega um valor muito positivo à experiência.


VISUAL

Sinceramente, não tenho muito o que falar sobre a arte da série. Tudo é brilhante e vívido - a distribuição de cores abusa da alta saturação; os cenários com forte inspiração européia se destacam por sua estética artesanal; a animação é fluidíssima, especialmente na expressividade das personagens e nas sequências mágicas. O visual de Little Witch Academia é como um feitiço do Shiny Rod que enche seus olhos de brilho.


Mas se tem um aspecto da arte que merece destaque é o character design. Em grande parte dos animes, a maioria dos personagens se parecem entre si, especialmente em seus rostos. Já essa animação foge do convencional e apresenta um elenco de figuras visualmente distintos. Volte à seção PERSONAGENS e tente procurar faces similares. Você vai perceber como a maioria delas é única em seu design.

O mais fascinante é que até os olhos são em maior parte distintos uns dos outros.

Claro, suas vestimentas são parecidas, porque a série se passa em um colégio, né, o uniforme é o mesmo para todos. Mas ainda assim há algumas individualidades - o vestido da Akko é curto e vai até um pouco abaixo da cintura, já o da Lotte é maior e cobre até o joelho, enquanto o da Sucy a cobre por completo ao ponto de arrastar o tecido no chão. O mais interessante disso é que essas distinções de roupas refletem suas personalidades, com a Akko sendo mais livre e relaxada, a Lotte mais reservada, e a Sucy completamente reclusa - seu vestido até passa a impressão de uma bruxa malvada tradicional, o que combina perfeitamente com ela.


ÁUDIO

A trilha sonora da série é boa, porém não muito memorável. As músicas combinam com tudo o que é mostrado em tela, mas são poucas as que ficam na sua cabeça e que você sente vontade de procurar depois na internet para escutar novamente. As composições que mais se destacam são a tema da Shiny Chariot, que pode ser considerada a tema definitiva da franquia, e a peça que toca algumas vezes quando a Akko está fazendo algo mirabolante. Talvez em uma segunda assistida a trilha sonora tenha mais chances de se fixar em minha mente, mas por ora esse é o meu veredito.

                             

Agora, se tem algum aspecto marcante da música dessa série, são as aberturas e encerramentos. Little Witch Academia é uma rara exceção à regra de que as aberturas são melhores do que os encerramentos, pois eu gosto igualmente de todas elas. Mais raro ainda é o fato de que cada uma dessas tem um significado para mim.

O nome da primeira abertura, Shiny Ray, já diz tudo – ela representa os raios brilhantes do Shiny Rod, o báculo da maior inspiração da Akko, a Shiny Chariot. O brilho de todos os elementos que envolvem a garota simbolizam a importância de seu ídolo em sua vida, desde sua infância até sua fase atual. É essa luz que a guia em sua jornada, como a letra da música mostra: “hakanai mama no ima o dakishimete / kawaranai mama jikan to / hikari mitsumete aruiteku (Abraçando cada momento como se fosse único / Fixarei meus olhos nessa luz / E continuarei seguindo adiante)”.

                             

O primeiro encerramento se chama Hoshi wo Tadoreba, cuja tradução é “se você seguir as estrelas”. A série tem dois temas centrais: a inspiração da Akko, abordado em Shiny Ray, e a importância das amizades em sua vida, tratado nessa canção. Mais simples impossível, nos é mostrado uma série de ilustrações da Akko e de suas amigas vivendo suas vidas. Munido de uma linda música que representa com maestria a amizade do trio principal, não é necessário nada além dessa simplicidade para ter um encerramento perfeito, assim como esse trecho da letra: “sou naite waratte tabete netemo / kuyokuyo shichaisou na toki demo / soba ni itekurete arigatou / mata ashita ne! (Através das lágrimas, dos sorrisos, das horas em que comemos e dormimos / E todos os momentos em que tivemos preocupações / Muito obrigada por ter estado ao meu lado / Até amanhã!)”.

                              

Se a primeira abertura trata da importância da inspiração e o primeiro encerramento da importância das amizades, Mind Conductor, a segunda abertura, trata da união desses dois elementos na hora de agir, da importância deles para enfrentar os obstáculos da vida. Enquanto Shiny Ray tem uma sonoridade leve e mostra a Akko encantada com o brilho de sua inspiração, Mind Conductor é um rock mais pesado e conta com um olhar de determinação no rosto da garota, que mostra não ter medo do que vem pela frente, pensamento que se intensifica quando a melodia ascende durante o refrão e é incrementada com uma orquestra. Com a ajuda de suas amizades e sua inspiração ardendo em seu coração, “donna toki mo shinjite iru yo / kono sekai o, jibun no yume o (Eu nunca vou deixar de acreditar neste mundo e em meus sonhos)”.

                              

Apresentada com uma animação minimalista fantástica, a canção do segundo encerramento é Toumei na Tsubasa, do japonês “asas transparentes”. Essa peça representa um momento de reflexão em sua vida, até mesmo de insegurança (“Minha habilidades não são páreas para as minhas fantasias”), mas nunca de desistência (“Mesmo assim, meu coração não vê a hora de encontrá-las”), pois ela tem suas asas transparentes – as motivações que permitem com que voe em direção ao seu sonho, sejam elas sua inspiração na Chariot, seu aprendizado diário ou suas grandes amizades. Se transformando graças a esses elementos e “toumei na tsubasa habatakasetara / akogareteta ashita e kitto (Desdobrando minhas asas transparentes ao céu / Sinto que posso me aproximar do amanhã que eu desejo)”.

                                

Que eu me emociono quando escuto uma música de alguma obra que eu admiro não é novidade pra ninguém se você leu minhas resenhas anteriores, mas devo dizer que o que sinto com as aberturas e encerramentos dessa série ultrapassa qualquer outra. É difícil de descrever algo tão idiossincrático como a sensação que me domina ao ouvi-las. Eu consigo sentir o brilho que cerca a Akko na primeira abertura ao escutar Shiny Ray e isso me enche de alegria. Quando chega no refrão de Mind Conductor, as lágrimas correm naturalmente antes que eu me dê conta. É algo tão forte, um calafrio tão intenso que chega a estremecer o coração.

E as análises que fiz sobre as músicas não valem só para o contexto da série - eu também sigo em minha vida tudo o que essas canções representam.

Para fechar a seção, gostaria de falar que o trabalho de dublagem é ótimo, adoro a voz de todas as personagens, mas tem uma dubladora que se destaca entre todas e faz uma das melhores atuações que já tive o prazer de ver em um anime – Megumi Han, a voz da Akko. Eu não consigo nem imaginar outra pessoa dando vida à personalidade maluca dela, com todos seus gritos histéricos, grunhidos e gargalhadas. A maneira com que ela transmite sua felicidade, a voz que faz quando está confusa, os seus “yayys!”... É evidente como a dubladora ama a personagem e isso se reflete em seu trabalho absurdamente acima da média.

MAGIA ULTRAPASSADA

Apesar de eu adorar Little Witch Academia, alguns problemas me incomodaram. Um deles são os famosos clichês, especialmente ao que se refere a resoluções de situações em alguns episódios, quando optam pelo previsível e não arriscam algo novo.

Contudo, o problema mais agravante certamente é o rumo que a trama toma a partir de sua segunda metade. Antes disso, o foco era majoritariamente no sonho da Akko e em suas relações, a mostrando curtindo a vida com suas amizades enquanto cresce gradativamente como uma bruxa, errando e aprendendo. O formato da série era praticamente episódico, sem uma grande trama que girasse a história e se desenvolvesse ao longo dos episódios - era puramente o aprendizado diário da Akko.

Com uma personagem principal que transborda carisma como ela, esse formato é mais que perfeito.

Mesmo com a Akko ainda como o tema central, a introdução da Croix como vilã na segunda metade traz consigo uma trama focada em um antagonismo muito exagerado. Sua ambição em se vingar da Chariot por ter sido a escolhida pelo Shiny Rod em vez dela é um enredo tão batido que você consegue prever até o desfecho. O penúltimo episódio é focado quase que inteiramente nesse conflito, cheio de ação e explosões que só são artifícios deslumbrantes para aqueles que não se contentam com a simplicidade da história de uma garota em busca de sua inspiração. Simplicidade essa que chega a ser mais bombástica do que qualquer ameaça explosiva em escala global.

"Sou do mal".

Infelizmente, esses defeitos subtraem seu desfrute completo da obra.......ou pelo menos é o que deveria acontecer comigo, mas...

O CORAÇÃO QUE ACREDITA

Como falei no primeiro parágrafo da seção anterior, eu adoro essa série. Não... Não é só adoração que sinto por ela... É amor. Eu AMO Little Witch Academia. Seria no mínimo estranho eu escrever tudo aquilo sobre as aberturas e encerramentos se eu apenas adorasse essa animação.

Um dos principais motivos por eu amá-la é pela maneira formidável como ela aborda um tema essencial para nosso desenvolvimento pessoal e profissional – a inspiração. Eu expliquei detalhadamente isso quando apresentei a personagem e falei sobre as aberturas e encerramentos, mas volto a repetir: a maior inspiração da Akko é a Shiny Chariot e é isso o que lhe motiva a perseguir seu maior sonho. Mesmo que tentem diminuí-la por isso, o sentimento ardente em seu coração não permite que seja abalada.


Pode parecer confuso, mas a maneira como a Akko se inspira é inspiradora para mim. Ela me mostrou que você não deve ter vergonha daquilo que te motiva, independente do que seja. Nas situações do dia-a-dia, as vezes eu hesitava em falar da importância de certos animes pra mim, mas aí eu percebia como a influência deles na formação da minha pessoa era grande de mais para deixar de expressar meus sentimentos quanto a eles.

Sempre que tenho a oportunidade eu falo como os filmes do Studio Ghibli me transformaram no que sou hoje e como Sussurros do Coração é minha maior inspiração de vida. Independente se Sakura Card Captors é considerada uma animação para garotas, eu exponho claramente como essa série me faz me sentir maravilhoso. Se as pessoas vão rir de você, isso não importa. O importante é acreditar naquilo que te inspira. Por que? Porque “um coração que acredita é a sua magia”.

Abrace suas inspirações e transforme-as em suas asas transparentes.

Agora eu gostaria de defender a Diana, muitas vezes injustiçada e taxada como patricinha invejosa por aí. Vinda de uma família renomada no mundo das bruxas, ela tem como missão carregar o legado do nome Cavendish após o falecimento de sua mãe e impedir que a magia caia no esquecimento. Ela se sente no dever de ser a bruxa mais hábil da atualidade, o que a faz parecer esnobe as vezes. Ver o jeito desengonçado da Akko usar magia, quase como se fosse brincadeira, chega a ser uma afronta para a garota. Mas com o passar do tempo ela percebe que ambas as duas têm um fervor imparável em seus corações de não deixar a magia morrer.

Até a fonte de inspiração das duas é a mesma, mas por ser de uma família respeitada, Diana não pode expor isso livremente como a Akko, então a mantém guardada em seu coração.

Um caso parecido com o dela é o do Andrew Hanbridge. Filho de um ministro e de uma família importante na política, ele é obrigado a seguir os passos do pai para um dia assumir seu cargo, o que significa que deve agir de uma maneira imposta sobre ele e não pode nem cogitar querer tomar outro rumo para seu futuro. Durante sua vida, apenas conviveu com pessoas em situações similares a sua, então quando conhece a Akko, com toda sua liberdade de ações e pensamentos e que segue com veemência seu grande sonho, um novo horizonte se abre para o garoto. Na nossa vida é assim também – conhecer novas pessoas e vivenciar novas experiências é a única maneira de expandir seus horizontes.


É fácil de se relacionar com os personagens dessa série. São poucas as animações que trabalham com fantasia que conseguem criar um vínculo de empatia entre os personagens e o telespectador, mas Little Witch Academia excede nesse quesito por criar figuras não muito diferentes de nós, com ambições e problemas similares. Além da protagonista, eu também me identifico muito com a Lotte, tanto que não posso vê-la cabisbaixa ou preocupada que já fico triste. Naquele momento em que ela reencontra a Akko depois do sumiço dela, nossa, eu me senti na pele dela, chorando de felicidade.


E isso é algo de suma importância, pois, além de ser uma obra inspiradora, essa animação também te deixa mais feliz do que criança em piscina de bolinhas. A fissura da Lotte pelos livros de Nightfall, as situações caóticas que a Sucy cria, a marrentice da Amanda, a gulodice da Jasminka, o jeito da Constanze de lidar com as pessoas, a interação entre as professoras, e tudo, TUDO que a Akko faz... Talvez a magia mais eficaz dessa série seja a felicidade que ela te proporciona.

O fato é que os defeitos que mencionei na seção anterior deveriam subtrair meu desfrute da obra, mas os pontos positivos são tão fortes que eles invalidam qualquer ponto negativo. Alguns clichês como as pessoas torcendo e dando energia para as bruxas conseguirem força, em vez de ser tosco, se torna algo lindo de se assistir devido à afinidade que você criou com essas personagens. Quando o último episódio terminou, eu fiquei meio confuso se tinha gostado ou não. Foi aí que a cena abaixo me veio à mente:


Quando percebi o significado simbólico desse momento, até fiquei arrepiado. Todos os mecanismos da Croix, que representam o antagonismo exacerbado da personagem e os clichês que provêm disso, são transformados em beleza natural pela magia da Akko. Na magia dessa garota estão embutidos o conteúdo inspirador, os personagens relacionáveis e a mais pura felicidade. Esse feitiço transcende a tela do dispositivo que você está assistindo e te envolve com todos esses elementos, te transforma.

CONCLUSÃO

Quando comecei essa série, eu sabia que seria uma ótima experiência assisti-la, só não imaginei que me apaixonaria tanto como aconteceu. A luz do Shiny Rod se instaurou em meu coração como uma fonte de inspiração e de felicidade. Little Witch Academia se tornou mais um componente das asas transparentes que me permitem voar em direção ao meu futuro.

      

-por Vinicius "vini64" Pires


Leia também meus outros artigos de animações:

quinta-feira, 23 de março de 2017

Sakura Card Captors


Era uma bela madrugada sem muito o que fazer. Estava deitado sem sono. Foi quando me veio uma ideia à mente. Havia uma animação que assistia na infância cuja tinha poucas recordações a seu respeito. Decidi assistir ao episódio inicial por curiosidade, sem pretensão de seguir em frente com os demais. Acontece que eu adorei esse primeiro, então fui assistindo mais alguns. Quando me dei por conta, estava apaixonado. “Caramba, Vinicius! Já entregou de bandeja assim sua opinião sobre a obra?” Sim, meu amor por essa lindíssima animação é tão grande que eu não pude me conter.

Estou falando de Sakura Card Captors, adaptação de 1998 do mangá homônimo do grupo Clamp. A animação é um clássico mahou shoujo, termo japonês cuja tradução literal é garotas mágicas, um gênero de animes com protagonistas femininas que usam poderes mágicos. Diferente de grande parte das animações desse gênero, Sakura tem um foco maior na vida cotidiana, nos sentimentos dos personagens e em suas relações. Então, vamos falar mais sobre essa lindeza?

PERSONAGENS E HISTÓRIA 


A protagonista que dá nome à obra é a Sakura Kinomoto, uma garotinha fofíssima de 10 anos que é doce e amável com todos e manda muito bem nos esportes, mas é bastante bobinha e desatenta, tem medo incondicional de histórias de terror e odeia ser chamada de monstrenga.


Em um fatídico dia de sua vida, a garota encontra um livro antigo que selava cartas criadas por um poderoso mago. Ao abri-lo, estes artefatos mágicos, conhecidos como Cartas Clow, são lançados e espalhados por diversos lugares da região em que vive. É neste momento que ela conhece Kerberos, o guardião das cartas. Em sua forma de disfarce, ele lembra um boneco de pelúcia, portanto foi apelidado com o nomezinho de Kero. Esse bichinho é super extrovertido e agitado, especialista em vídeo-games e adora doces mais do que tudo na vida.


Como Sakura foi a responsável por dispersar as Cartas Clow, Kero a encarrega com a missão de capturá-las novamente. É assim que essa garotinha se torna Sakura Card Captor! Cada uma dessas cartas possui um poder diferente e são únicas em suas personificações.


Sua melhor amiga é a Tomoyo. Essa menina de longos cabelos escuros e pele branca como a neve é obcecada por Sakura e passa o dia inteiro a elogiando. Seu passatempo mais gratificante é gravar sua linda amiga durante o seu dia-a-dia e suas façanhas como Card Captor. Além disso, é uma exímia modelista: não há nada que a deixe mais contente do que ver Sakura usando seus exuberantes vestidos cheios de graciosos adornos durante a captura das cartas. Ela também tem uma voz de canto maravilhosa e encanta a qualquer um com suas canções.

Ahh, a Tomoyo é simplesmente perfeita! <3

Na família Kinomoto temos o Toya, irmão de Sakura que adora importuná-la, mas a ama imensamente e tenta protegê-la sempre que tem algo de errado (ou quando algum garoto fica próximo dela :P). O pai da família é o Fujitaka, professor de arqueologia cujas maiores virtudes são sua bondade e seu jeito carinhoso. Sua esposa se chama Nadeshiko, uma formosa modelo que faleceu ainda jovem, mas está sempre presente na vida de seus filhos e seu marido, mesmo estando no paraíso.


Um grande amigo da família é o Yukito, um lindo garoto que conquista o coração de todos com sua personalidade gentil e educada. Não bastasse isso, ele também é inteligentíssimo e versado em tudo que faz, especialmente em agradar aqueles especiais para si. Chega um ponto que até nós que estamos assistindo à série passamos a dizer “AI AI AI YUKITOOO!” junto da Sakura quando ele aparece.


Em sua missão como Card Captor, Sakura tem ao seu lado um garoto que é um rival e auxiliador ao mesmo tempo. Shaoran Li é descendente da família do Mago Clow, então acredita que ele é quem deve deter o poder das cartas. O menino esquentadinho age de uma maneira quase que antagonística durante o começo de sua relação com Sakura, mas o jeitinho meigo dela vai amolecendo seu coração com o passar do tempo.


Também da família Li, Meiling é a prima de segundo grau do Shaoran, uma menina de personalidade explosiva que é extremamente possessiva de seu primo: super ciumenta, vive agarrada nele, faz de tudo para o enaltecer diante dos outros, o ajuda em suas obrigações e, acima de tudo, tenta a qualquer custo obter o seu amor. É muito imatura a maioria das vezes, mas é evidente que suas intenções são genuínas.

E nem tente provocá-la se não vai levar vários golpes de artes marciais na fuça!

No colégio Tomoeda, onde estudam, Sakura e Tomoyo têm seu trio de amigas. Rika é uma garota bem madura para a sua idade e é muito hábil com costura; Naoko é uma leitora assídua de livros e fã de histórias sobrenaturais e de terror; Chiharu é a que menos mostra seus gostos e habilidades, mas é mestra em interromper o Yamazaki quando começa a inventar mentiras. Este, por sua vez, não faz parte do trio, mas está sempre junto delas para lhes contar fábulas absurdas como se realmente tivessem acontecido, nas quais a Sakura e o Shaoran sempre acabam caindo.

Da esquerda para a direita: Yamazaki, Sakura, Tomoyo, Chiharu, Rika e Naoko.

Eu me senti na obrigação de listar alguns que as pessoas não se importam tanto e esquecem seus nomes, como as amigas de Sakura e seu pai, pois eu adoro todos os personagens dessa animação, de coração – cada um deles tem influência no sorriso infindável que ficou no meu rosto durante todo segundo em que os acompanhava enquanto viviam suas vidas.

ARTE

Ok, vamos começar falando sobre o trabalho de cenários. Os backgrounds pouco detalhados e pintados de maneira leve dão a impressão de que são meio esmaecidos. Isso nos transmite uma sensação de leveza e delicadeza, algo muito bem-vindo nessa experiência confortante que é assistir Sakura Card Captors.


Em contrapartida ao minimalismo dos cenários, o design das Cartas Clow é repleto de detalhes. Cada uma delas é única em seus desenhos, variando de magos com diversos adereços, capas e vestidos, um tigre em forma de raio, um balão alado e até mesmo um simples cadeado. Tão impressionante quanto vê-las em ação, é a arte das cartas em si quando trancadas. Me falta até palavras para descrever essas ilustrações, então deixo essa imagem abaixo para vocês apreciarem com seus próprios olhos esse trabalho artístico admirável.


Mas o aspecto mais fascinante da arte dessa animação é o vestuário dos personagens, em especial o da Sakura. Sério, se eu disser que ela veste 50 roupas diferentes ao longo da série isso ainda vai ser um palpite baixo! Grande parte de sua vestimenta é proporcionada pela linda Tomoyo para usar durante as capturas das cartas, e devo dizer que ela não é a única que fica deslumbrada ao ver sua amiga pulando e correndo por aí com as formosas fantasias que desenhou.


E não é só durante as sequências de combate que vemos diversas variedades de vestimenta! É muito difícil a Sakura usar sempre a mesma roupa em casa, veste até mesmo pijamas diferentes. Ela e a Tomoyo variam seu vestuário com frequência quando vão sair juntas, seja em ocasiões especiais ou não. Como o cabelo da senhorita Daidouji é muito grande, ela constantemente experimenta penteados novos: já usou tranças, fez coques, ficou estilo Maria Chiquinha, estilo Diana Barry... Mas ela é encantadora de qualquer maneira, assim como a Sakura.


Todo esse trabalho de arte fantástico é suportado por um trabalho de animação não menos fantástico que traz à vida – com fluidez excepcional – todos os personagens e essa abundância de vestuário. As sequências de captura das Cartas Clow e o uso das próprias em qualquer situação são um espetáculo visual daqueles que você gostaria de estar ali presenciando e filmando, assim como a Tomoyo.

Cartas Labirinto e Ilusão utilizadas em conjunto. Só um exemplo da lindeza que é as Cartas Clow em ação.

A sequência de transformação do báculo mágico é repetida inúmeras vezes ao longo da série, mas ela nunca se torna cansativa, porque, a cada episódio, a Sakura a realiza com uma roupa diferente, então sempre é uma maravilha ver como tal vestimenta é animada durante essa sequência.

Não dá para ficar enjoado disso. Todas as vezes você gritará junto, "liberte-se!"

ÁUDIO

De todas as animações das quais escrevi aqui no Goomba, Sakura Card Captors é a única que assisti dublada e devo dizer que adorei a dublagem. Ela conta com alguns nomes famosos como Fábio Lucindo (Ash, Kuririn, Shinji) na voz do Shaoran, Vagner Fagundes (Gohan, Luffy, Invasor Zim) como o Toya, Rodrigo Andreatto (Joey e Jaden do Yu-Gi-Oh) como o Yukito, e tem até uma moça que viria a se tornar atriz da Globo depois – Marisol Ribeiro, dubladora da Meiling. O grande destaque vai para as vozes adoráveis da Sakura (Daniela Piquet) e da Tomoyo (Fernanda Bullara). É difícil não ficar feliz só de ouvi-las falar <3

Assim como diversas outras dublagens de anime, ela não é livre de erros: tem certos momentos em que o diálogo parece incoerente e existem algumas inconsistências no sentido de algo que foi dito não se encaixar com o que foi mostrado, mas são pouquíssimas as vezes em que isso acontece. Não é um problema que subtraia seu desfrutar da obra ou que invalide a versão dublada.



Outro aspecto fenomenal dessa animação é a trilha sonora. Nela você encontra músicas alto astral para as situações alegres, agitadas para as sequências de ação, grandiosas para os acontecimentos épicos e sensíveis para os momentos de ternura. A sinergia entre imagem e áudio da obra é enorme, digo isso porque as músicas sensíveis sempre faziam vir lágrimas aos meus olhos quando alguma situação bonita estava acontecendo e as peças mais agitadas me deixavam empolgado.

                  
                         Me emociono cada vez que escuto essa música.

                  
                       Uma peça de ação que toca frequentemente na série.

As canções vocais também são cativantes, tanto as aberturas e encerramentos quanto aquelas usadas como inserts nos episódios. Tem até músicas cantadas pela Tomoyo! Por sorte, a versão dublada que assisti manteve suas canções com o lindíssimo vocal japonês dela.

                  
       Impossível não se encantar com essa melodia acompanhada da bela voz da Tomoyo <3

                  
                                          Minha canção de insert favorita.

A trilha sonora é ótima para se escutar até mesmo durante o seu dia-a-dia, afinal, não há nada mais “levantador de ânimo” do que ouvir essas músicas que te lembram de todos os momentos que você acompanhou da vida de Sakura e suas companhias. Mas já fique preparado para se emocionar em público com as peças emotivas da trilha. Não tem como evitar aquele olho ficando pesado quando as cenas mais sentimentais lhe vêm à mente.


A VERDADEIRA MÁGICA DE SAKURA

Apesar do nome da obra ser Sakura Card Captors, a captura das Cartas Clow pode até ser o tema central, mas não é exatamente o ponto mais relevante do enredo. Eu acredito que o nome deveria ser Sakura Feelings Captor. Por que? Porque essa série captura o seu coração de um modo que você se sente assistindo a uma personificação visual do sentimento de felicidade. Isso graças ao foco dado às relações entre os personagens e seus sentimentos.

Eu me emociono cada vez que assisto a terceira abertura, devido ao fato de que ela contém uma síntese absoluta da obra. O trecho em questão é o gif logo abaixo. Nele, a Sakura estende as duas mãos para segurar uma pétala, mas a segura apenas com uma mão, bem devagarinho, e depois a protege gentilmente com a outra mão. Essa cena representa a afetividade e a sensibilidade de como os sentimentos são retratados nessa animação. Mesmo com toda a mágica fantasiosa, essa abordagem sentimental nos permite sentir as emoções dos personagens, ao ponto de os enxergar como seres humanos de verdade.


Esse trecho da abertura também representa a fragilidade. Apesar de os personagens mostrarem como são fortes nos momentos de ação, todos são frágeis como uma pétala quando o assunto é a afetividade que sentem por alguém querido. Isso é retratado lindamente no Shaoran: o maior desafio para ele não é reunir as cartas, mas sim compreender seus sentimentos pela Sakura e depois revelar estes para ela. E isso é algo que o amor faz conosco – nos deixa frágeis.


Outra palavra que define essa animação é ternura. Não há nada mais confortante do que a maneira carinhosa como o pai da Sakura trata sua filha. Quando destrói acidentalmente o trabalho de arqueologia dele, é de encher os olhos de água ver como ela fica devastada e faz de tudo para compensar o estrago que causou. Vê-la usar a carta da Chuva para criar um arco-íris a fim de agradar um senhor de idade é lindo. Mais lindo ainda é ver este senhor, bisavô de Sakura, se emocionar com os presentes que recebeu de seus bisnetos e se desculpar ao pai da garota por não ter sido receptivo com ele quando se casou com sua neta. Uma Carta Clow que revela sua verdadeira forma ao ouvir uma bela canção da Tomoyo e faz um dueto angelical com a menininha é de uma sensação de apreço indescritível. O Toya presenteando a carta Espelho com um par de laços para seu cabelo e a reação desta ao recebê-los me traz lágrimas aos olhos só de lembrar.

Essa animação te cobre com um cobertor de ternura.

Um momento muito marcante para mim é quando o Shaoran revela para a Meiling o que sente pela Sakura. Essa situação já é bonita só pelo motivo de ele ter decidido contar por ter feito uma promessa a ela de que diria quando encontrasse a pessoa especial de sua vida, já que a garota é apaixonada por ele e o preza acima de tudo. Mas o que torna este episódio ainda mais lindo é a maneira como a Meiling reage a essa revelação. Para a surpresa do Shaoran, ela encara isso com um sorriso no rosto, o incentiva a se declarar logo para a Sakura e lhe deseja toda a felicidade do mundo.

Porém, no fundo, ela estava completamente arrasada, mas como não queria preocupar essa pessoa tão querida da sua vida, vai correndo para a casa da Tomoyo e se debruça em seu colo para descarregar todas as suas lágrimas e desabafar aquilo que estava sentindo. Essa garotinha, outrora mimada e histérica, mostrou como se tornou madura e compreensível com esse comportamento, tudo em prol dos sentimentos do Shaoran, a pessoa que ela mais ama.


A representação do amor nesta obra é algo difícil de se encontrar em qualquer outra animação. É uma representação pura, sem nenhum tipo de malícia. A Tomoyo ama a Sakura, não só no sentido de amizade, mas seu sentimento por ela é tão forte que admite não se preocupar caso seu amor não seja correspondido, pois a felicidade da “pessoa querida” dela é como se fosse a sua. O vínculo do Toya com o Yukito vai além de uma simples amizade e essa afetividade se intensifica com o passar do tempo, não só para eles, mas também para nós, pois a preocupação do irmão da Sakura com o “ai ai ai Yukito” durante o último arco é tocante. 
Uma relação que infelizmente as pessoas só conseguem enxergar maldade é entre a aluna Rika e o professor Terada. A garotinha ama seu professor, tenta agradá-lo com presentes que ela mesma costura, e ele a trata com carinho e ternura. É um sentimento inocente, não há malícia alguma nisso.

"Seria muito cruel viver em um mundo onde ninguém sente uma coisa especial por alguém querido" - KINOMOTO, Sakura

A sensibilidade com que todas essas relações são retratadas me causou um impacto positivo. Eu sou uma pessoa que se inspira muito em animações que mostram relações humanas realistas e que focam nos sentimentos, escrevi sobre diversas destas aqui no site onde vocês podem ler como cada uma é especial para mim. Com Sakura não é diferente: a empatia que sinto com os personagens dessa série alegra minha vida. São raríssimas as obras audiovisuais que conseguem criar esse elo sentimental com o telespectador.

Sorriso e lágrimas de felicidade - os dois componentes principais de minha experiência com Sakura Card Captors.

Eu acho que é impossível alguém assistir a essa animação e não ficar feliz. Além de toda a parte sentimental supracitada, existem inúmeros momentos descontraídos, faz parte da essência da obra. As trapalhadas da destrambelhada e ingênua Sakura, a fissura da Tomoyo por sua melhor amiga, as provocações do Toya com sua irmã, a personalidade explosiva do Kero que tá sempre se enfiando onde não deve e tretando com o Shaoran, o estômago infinito do Yukito, o fascínio da Naoko por contos sobrenaturais que congelam a Sakura de medo, as mentiras mirabolantes do Yamazaki... Tudo isso e muito mais contribuiu ao sorriso que não saia de meu rosto por um segundo sequer durante cada episódio.


Acerca do que falei no primeiro parágrafo dessa seção, não entenda como se eu estivesse desmerecendo as Cartas Clow. As variadas situações que elas criam têm grande mérito nesse conjunto de elementos que fazem de Sakura Card Captors uma obra tão cativante. Eu acho fascinante como certas cartas são capturadas em sequências épicas de ação, mas ao mesmo tempo algumas criam situações triviais como uma chuva de pétalas, deixar as pessoas dormindo, transformar tudo em doce, cantar uma canção, e simular o brilho encantador dos vagalumes.

Uma carta que deixa a Sakura do tamanho de uma formiga? Confere!
Uma carta que materializa tudo aquilo que você imagina? Confere!
Uma carta que brinca de cabo-de-guerra com a Sakura? Confere!
"Uma carta que é igualzinha aos contos sobrenaturais da Naoko?? Aiii Tomoyo, eu tô com medooo!!"

CONCLUSÃO

É muito gratificante assistir a uma animação que exala vida, como é o caso de Sakura Card Captors. Você consegue sentir o que os personagens vivem e isso te afeta de uma maneira positiva, como se a felicidade deles fosse a sua. Isso se carrega para o seu dia-a-dia – os sorrisos puros da Sakura e da Tomoyo são como um raio de luz que ilumina e purifica sua alma e faz qualquer sentimento negativo se dissipar.

É certo que, com o passar dos tempos, aquilo que sentíamos por uma obra que tanto apreciávamos diminui, mas eu espero, do fundo do meu coração, que a estrela da Sakura continue brilhando intensamente e eternamente para mim.


-por Vinicius "vini64" Pires


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