quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Super Mario Sunshine


(Este texto era para ter sido terminado um dia antes do lançamento de Super Mario Odyssey, mas minha empolgação me impediu de terminá-lo e só consegui fazer isso essa semana, pois desde então fiquei me deliciando com essa obra-prima, um dos melhores jogos da história. Porém, decidi manter a introdução original do texto :P Então lá vai!)

Amanhã será lançado Super Mario Odyssey. Senhores, eu nunca fiquei tão empolgado para um jogo como estou com esse. Essa semana foi penosa para mim pois não aguento mais esperar para jogar essa maravilha! Sério, estou contando as horas do relógio para colocar minhas mãos nele.

Para comemorar o lançamento dessa obra-prima, que é um retorno à jogabilidade explorativa sandbox vista nos Marios 3D de Nintendo 64 e GameCube, decidi escrever um texto sobre um de meus jogos favoritos, que teve grande influência no desenvolvimento do OdysseySuper Mario Sunshine, de 2002.

HISTÓRIA

Pela primeira vez na história, Peach cansou de brincar de ser raptada e decidiu comemorar este feito com uma viagem de férias para uma ilha tropical chamada Ilha Delfino, cheia de resorts, praias e hotéis para curtir a vida sem preocupações. Mas seu grande erro foi querer levar Mario junto dela, e todos sabem que o encanador só atrai problemas.

Chegando ao aeroporto, os viajantes se deparam com uma gosma colorida espalhada pelo local. Eles descobrem a causa por trás disso da pior maneira possível - com Mario sendo preso. Isso aconteceu pois a ilha inteira foi pichada e poluída por um indivíduo similaríssimo ao bigodudo, então o verdadeiro acabou por ser confundido com o vândalo.

Uma virada de eventos um tanto incomum para um jogo de Super Mario, não?

A Ilha Delfino é conhecida por suas paisagens deslumbrantes e águas cristalinas, mas essa poluição causada pelo meliante tirou todo o brilho do local, concentrado no Shine Gate por meio de pequenos artefatos radiantes similares ao sol conhecidos como Shine Sprites. Estes se espalharam por toda a ilha devido à bagunça - a missão de Mario é coletá-los novamente e trazer o brilho de volta a ilha.

Depois de recuperar alguns Shines, o previsível acontece - Peach é raptada pelo Mario farsante. Você realmente imaginou que ela sairia ilesa em um jogo de Super Mario? Tsc tsc. Agora o encanador, além de ter que reviver a beleza da ilha, também deve salvar sua querida princesa. Que nem diria aquele antológico comercial da AXN, “isso são minhas férias!”


O aspecto mais inusitado desse jogo é que grande parte dessa história é contada por meio de várias cutscenes, as quais são grandes e cheias de diálogos com dublagem! Essa foi a primeira vez que isso foi feito em um jogo da franquia......e também a única, já que a adição não foi muito bem recebida devido às longas durações e voice acting tosco.

                        

JOGABILIDADE

Sunshine é o sucessor do Super Mario 64, de 1996, então a jogabilidade é um tanto similar. Você explora fases espaçosas em busca de Shine Sprites, o equivalente às estrelas do jogo anterior. Grande parte desses Shines são obtidos ao completar variadas missões que o game te dá em cada uma das fases, como derrotar chefes, vencer corridas, coletar moedas vermelhas, entre outras.


Em questão de movimentação, o controle do Mario é tão fluído quanto as águas da ilha. Você não se sente limitado por nada enquanto controla o personagem, podendo dar pulos triplos, piruetas, giros no ar, mergulhos e até mesmo fazer algumas acrobacias em cordas-bambas. Seus movimentos podem não ser tão variados quanto os de Super Mario 64, mas não há duvidas de que seu controle em Sunshine proporciona uma sensação maior de liberdade.


O fator principal disso é o seu grande diferencial em relação aos demais jogos da franquia - o propulsor de água que carrega nas costas, FLUDD. O principal mecanismo do jogo, ele concede a Mario o poder de soltar jatos d'água para limpar a sujeira e derrotar inimigos, além de permitir que flutue por alguns segundos. Isso aumenta consideravelmente a distância que pode percorrer, tanto horizontalmente quanto verticalmente.


Similar aos bonés do jogo anterior, o FLUDD também tem seus power ups - o Rocket Nozzle, que impele Mario aos céus como um foguete, e o Turbo Nozzle, que jorra água aos montes para que o bigodudo corra igual ao Sonic.

Apesar de alguns criticarem essa mecânica, eu curto bastante, especialmente a habilidade de flutuar, pois aumenta ainda mais a sua mobilidade e é de suma ajuda se você erra um pulo, podendo retificá-lo, ou se não consegue alcançar determinado lugar. Mas os power-ups são bem sem graça e pouco usados, devo admitir.

LOCALIDADES

Eis aqui o grande trunfo do jogo. Mario 64 nos imergiu em um mundo completamente 3D pela primeira vez na história dos games, com fases de temas variados que vão de fortaleza, até céu ou deserto. Já Sunshine é completamente baseado no tema litorâneo de praias, mares e muita água. A ambientação desse jogo é incrível - ele realmente me passa a sensação de estar curtindo as férias em uma ilha.

Apesar desse ser o Mario 3D com o menor número de fases, todas elas são marcantes. Temos as colinas de Bianco Hills com seus moinhos de vento bonitinhos; o porto de Ricco Harbor é o mais próximo que temos de uma área industrial; a praia de Sirena Beach com seu hotel misterioso; o parque de diversões Pinna Park cheio de atrações; a pacata vila de Pianta Village com seus moradores que adoram festejar e cantar... São diversos locais que te dão a sensação de estar viajando pela ilha. Nem o tema espacial de Super Mario Galaxy consegue ser tão imersivo.


Mas nada seria dessas localidades se não fossem os gráficos maravilhosos do jogo. Sunshine é um dos games mais bonitos da sua geração, que chega a te dar vontade de viver no mundo dele. Apenas olhe para a água do mar em qualquer lugar da ilha. Vai dizer que você não sente um anseio enorme de se jogar nela e ficar boiando tranquilamente?


DIFICULDADE

Uma tendência que começou em meados dos anos 90 foi a de a maioria dos jogos recentes serem mais fáceis que os antigos. Sunshine, entretanto, não se aplica a essa regra, pois ele é consideravelmente mais difícil que seu antecessor. Diversas missões do jogo deram muito trabalho à maioria dos jogadores, como a de derrotar a arraia que se multiplica em diversas formas minúsculas, a de desbravar o hotel em busca de um abacaxi, a de guiar uma melancia até uma cabana, grande parte das de coletar moedas vermelhas, entre outras.

Essa missão tirou muita gente do sério. Malditos patos!

As seções mais memoráveis do jogo, de acordo com grande parte do público, são as que você não pode usar o FLUDD. Elas são compostas por diversas armadilhas e plataformas que giram e se movimentam nas quais você deve calcular perfeitamente seus pulos para não falhar miseravelmente. Eu também as adoro, são desafiantes e bem estruturadas, mas às vezes acho que o pessoal as vangloria de mais, chegando ao ponto de dizer que Sunshine só vale por essas seções.


Mas o grande desafio mesmo está em completar o jogo 100%. Além de ter alguns Shines escondidos pela ilha que dão um trabalhão de encontrar, ainda existem as moedas azuis. Ao todo são 240 espalhadas por todo lugar e cada 10 lhe conferem um Shine. Algumas são facílimas de achar, mas tem outras que rapaz... Eu não consegui sem detonado, admito. Algumas são ridiculamente escondidas em lugares que ninguém imagina. O único jeito de encontrá-las e ir jorrando água a esmo pelos locais na esperança de que uma moeda brote. E o pior é que certas delas só podem ser encontradas em missões específicas e o game não te indica nada!

Contudo, uma parte da dificuldade de Sunshine se deve a algumas falhas de level design. A fase do Pachinko é um exemplo primordial disso, em que você é lançado como uma bola de pinball para os ares e perde o controle total do personagem. A área do cassino de Sirena Beach também é repleta de problemas - além de partes cujo sucesso dependem unicamente de sorte, temos um puzzle que você mal tem controle de como resolvê-lo. O fato do jogo não te dar dica alguma de onde encontrar os Shines escondidos e as moedas azuis também é uma falha.

Não faço ideia do que aconteceu durante o desenvolvimento dessa atrocidade de fase.

Os chefes do jogo são uns dos mais chatos da franquia. Tem alguns que se salvam, como a Petey Piranha, o Gooper Blooper e a arraia que supracitei, mas tem uns que se tornam difíceis pelo quão problemáticas são suas mecânicas, como o King Boo, que depende de pura sorte, e a enguia de Noki Bay em que você deve brincar de dentista de baixo d'água sem poder controlar devidamente suas ações. O chefe final não é difícil, muito pelo contrário, mas vale mencioná-lo aqui porque, pqp… é o Bowser numa banheira…..com dublagem….em uma batalha que não dura nem um minuto direito…

Porque todos nós sempre quisemos tomar banho com o Bowser.

Mas o que mais me irrita nesse jogo é a fase final, Corona Mountain. Ela é, sem dúvidas, a pior área final de qualquer Mario única e exclusivamente pela mecânica do barquinho, pateticamente quebrada. Você precisa navegar pela lava usando o FLUDD para guiar o barco, mas ele não te obedece! Não tem padrão algum! E pegar as moedas azuis dessa área? O jogo praticamente te incita a morrer para conseguir pegá-las já que é impossível não colidir o barco pelo menos 4 vezes antes de coletar todas elas.

Retiro o que eu disse sobre a fase do Pachinko - ISSO AQUI É UMA ATROCIDADE!

TRILHA SONORA

As músicas são de suma importância na experiência relaxante que o jogo te proporciona com todas as suas paisagens tropicais. Ao escutar qualquer uma delas no seu dia-a-dia, é como se essas músicas me remetessem a momentos que eu realmente tirei férias.

Grande parte das peças da trilha são variações da tema central que toca na Delfino Plaza, mas arranjadas para melhor combinarem com as áreas designadas. E apesar de todas as composições seguirem essa abordagem litorânea, não quer dizer que a trilha seja monótona e desprovida de variedade.

                        

A música de Sirena Beach evoca um ar de mistério, Noki Bay tranquiliza com sua trilha mínima em instrumentos, Pinna Park traz um piano estilo ragtime à brincadeira, Pianta Village nos ambienta perfeitamente em uma vila noturna com sua tema composta por 70% de percussão e chocalhos que lembram o som dos grilos... Tem até uma versão a capella da clássica tema do Super Mario Bros.!

                        

Enquanto a trilha sonora desse jogo pode não ser tão memorável quanto a de Super Mario 64, ela certamente é mais relaxante e menos repetitiva, já que Sunshine não repete o problema de seu antecessor de repetir as mesmas peças para diversas fases.

CONCLUSÃO

Desde que o joguei pela primeira vez em 2008, sempre amei de coração esse jogo. Em 2010, acabei por vendê-lo e fiquei sem jogá-lo até este ano, quando o comprei novamente. Estava curioso para ver se eu ainda o adorava como antigamente. Felizmente, descobri que sim, já que me diverti horrores enquanto coletava todos os 120 Shines do game. Apesar de diversas falhas, acredito que os méritos de Super Mario Sunshine superam essas falhas e oferece uma experiência relaxante, desafiante e divertida.

                         

-por Vinicius "vini64" Pires

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domingo, 22 de outubro de 2017

Mario Pinball Land (2011)


Enquanto fuçava minha pasta de textos no computador, acabei me deparando com um arquivo peculiar, datado de setembro de 2011, quando esse blog ainda estava em seus primórdios. O que mais poderia ser esse arquivo? É claro que um review! De um jogo de Game Boy Advance chamado Mario Pinball Land, lançado em 2004. Eu costumava jogá-lo direto em 2008, quando tinha meus 12 anos e era uma criança desocupada que amava Mario e se divertia até com os jogos mais toscos, tipo esse.

Pois bem, em um ato de saudosismo, usarei este review que escrevi há 6 anos atrás como o terceiro texto do meu writetober. O que mais me impressiona é que ele está completinho, não faço ideia do porquê de não tê-lo postado na época. Eu não alterarei absolutamente nada nele, portanto vocês poderão contemplar minha escrita como ela era em 2011. Então, sem mais delongas, um artigo sobre MARIO BALLS direto do túnel do tempo!
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Sobre:

Mario Pinball Land, conhecido como Super Mario Ball fora das Américas, é um jogo de pinball lançado para Game Boy Advance com elementos de jogos passados da série Mario.

História:

A história do jogo é bem tosca. Tudo começa em um festival em que a atração principal é uma máquina que transforma os Toads em bolas. Essa maquina era usada pra botá-los dentro de um canhão e lançar contra um alvo, coisa que eles adoravam fazer. Após ver o show deles, Peach decidiu tentar uma vez, mas dois Goombas aparecem e miram o canhão para o castelo do Bowser, aprisionando-a lá (típico...). Mario não gostou, e decidiu se transformar em bola para salvar a princesa.



O jogo:

O jogo se baseia em coletar estrelas, alá Super Mario 64. Você precisa de um tal número de estrelas para abrir certa porta e entrar no lugar onde fica o chefe. Sempre quando se derrota um chefe, uma chave aparece. Essas chaves são necessárias, pois elas levarão Mario até a fase final. Ao todo são 4 chaves e 35 estrelas, mas para zerar o jogo, são apenas necessárias 15 estrelas.



Mario Pinball Land é praticamente uma "slot machine" em que você não sabe o que vai acontecer. Na maioria das vezes, os comandos não são executados do jeito que você quer, fazendo com que erre o ataque e que a bola caia pra fora da arena. Podemos dizer que o jogo exige 10% de habilidade e 90% de sorte, ou seja, acreditamos que você se estressará bastante ao decorrer dele.

A trilha sonora:

A maioria das músicas desse jogo são chatas e repetitivas, poucas se salvam. Praticamente todos os sound effects foram retirados do jogo Super Mario Sunshine, de GameCube, até mesmo quando você pausa o jogo. Os efeitos são repetidos diversas vezes, fazendo com que você se irrite facilmente, então, o Goomba Reviews recomenda que você o jogue com o volume no mínimo, ou mudo.



A revanche:

O castelo do Bowser é a ultima área do jogo. Lá, você encontra vários segredos e o mais notável de todos é a revanche contra os quatro chefes do jogo. Todos eles têm algo de diferente agora, a Petey deformada está abocanhando mais rápido, o Puffer-Cheep tem mais comparsas, o King Tut está super ágil e o Big Boo fica invisível facilmente. Quando cada um é derrotado, eles te dão um milhão de pontos, sendo o maior bônus do jogo. Também existe a misteriosa "porta 35" no castelo do Bowser, que todos acreditam que seja uma revanche com o próprio Bowser, que é encontrado neste mesmo castelo.



Gráficos:

Em geral, os gráficos são a melhor coisa desse jogo. São gráficos 3D (um dos poucos 3D do GBA) perfeitos para á época do GBA. Mas apesar dos perfeitos gráficos, o design das fases e dos personagens é bem tosco. Por exemplo, a Petey Piranha, é completamente deformada! Poucos personagens têm o design bom, como por exemplo, o King Tut e o Big Boo.



Notas:

Gráficos 
 9

Jogabilidade 
 4

Áudio 
 4

Controles 
 6



Nota Final: 5



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De volta a 2017! E devo dizer que me surpreendi com a quantidade mínima de erros encontrados na minha escrita de quando tinha 15 anos. Minha opinião sobre esse jogo não mudou nada desde então, apesar de eu ainda gostar dele um tantinho, quase como um guilty pleasure.

Algumas coisas me chamaram a atenção nesse texto, como a existência dessa seção desnecessária A revanche e quando menciono "a misteriosa porta 35”. Fiquei curioso para ver o que tinha atrás dela e descobri que é um ovo de ouro que te confere 4 milhões de pontos... Uau.

Mas enfim, esse foi o review nostálgico do único jogo de pinball do encanador mais famoso do mundo. Semana que vem trarei mais um texto de um jogo dele, dessa vez escrito esse ano. Até mais!


                    


-por Vinicius "vini64" Pires

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domingo, 15 de outubro de 2017

Yama no Susume


Enquanto me preparo para o texto de Made in Abyss, pensei em escrever, para me aquecer, um curtinho sobre um anime também curtíssimo chamado Yama no Susume. A primeira temporada tem 12 episódios de apenas 3 minutos, e a segunda, consideravelmente maior, tem 24 episódios de 12 minutos, totalizando aproximadamente 5 horas de duração.

PERSONAGENS E HISTÓRIA

A principal da história é a Aoi Yukimura, uma tímida garota com algumas dificuldades em socializar. Quando criança, era fascinada por montanhas e chegou até a ver o amanhecer no topo de uma, mas desde que sofreu um acidente em que caiu de um brinquedo alto e quebrou um osso, ela tem medo de altura e sai pouco de casa, preferindo se divertir sozinha.


As coisas mudam repentinamente para a menina quando uma amiga de infância, Hinata Kuraue, entra em sua vida novamente. Ela é uma garota energética e brincalhona que adora tirar sarro da Aoi, mas acima de tudo, quer reviver o amor que sua amiga tinha por montanhas e começa a arrastá-la para fazer trilhas junto dela. Lentamente, com um pouco de relutância no início, Aoi vai percebendo como é divertido e gratificante praticar montanhismo, apesar das dificuldades.


Enquanto comprava equipamentos em uma loja, Aoi encontra Kaede Saitou, uma moça bela e alta também fã de montanhismo. Indagando qual saco de dormir comprar, ela pede ajuda para Aoi, dando um empurrãozinho para melhorar as pífias capacidades de socialização da garota. Após o encontro, as duas se tornam amigas e, junto de Hinata, começam a trilhar mais montanhas.


Durante uma de suas trilhas, as amigas encontram a Kokona Aoba, uma doce menina que adora a natureza e os animais. Diferente das demais que são meio tomboy, vestindo-se como garotos na maioria das vezes e com cabelos curtos, Kokona é mais mocinha, com cabelos longos e sempre roupada de belos vestidos. Ela me lembra a Tomoyo de Sakura Card Captors, tanto visualmente quanto em seu jeito fofo e formal de falar.

A amizade dessas quatro é uma relação linda, divertida e confortante de se assistir.

Todas as situações giram em torno delas, mas alguns outros personagens aparecem de vez em quando, como o pai da Hinata, especialista em montanhas, a mãe da Aoi, sempre preocupada com a nova atividade da filha, a mãe da Kokona, fofa e atenciosa com sua filha, a melhor amiga da Kaede, sempre tentando corrigir os maus hábitos dela, entre (poucos) outros. Acho que os personagens coadjuvantes que mais me marcaram foi um casal gringo que está escalando o Monte Fuji na segunda temporada. É engraçado ouvi-los falando em inglês super empolgados com a trilha que estão fazendo.

Kokona e Hinata com os gringos.

ARTE

Devo dizer que o traço me agrada bastante, afinal, adoro personagens fofas e a fofura delas é fortemente realçada por seus designs. As cenas de comida (que são muitas!) chegam a dar água na boca e olha que eu nem gosto de comida japonesa. Acho que os artistas dessa série analisaram cuidadosamente os filmes do Studio Ghibli para aprender como desenhar comidas de maneira apetitosa. Posso dizer que eles fizeram a lição de casa direitinho!


Mas, indubitavelmente, o grande mérito artístico desse anime está em seus cenários. Santa Chariot dos céus, que trabalho exuberante! As meninas visitam lugares que realmente existem no Japão, majoritariamente montanhas, e essas pinturas não poderiam fazer jus maior às paisagens japonesas. É um trabalho meticuloso que transpira vida, você consegue sentir a atmosfera dos locais, especialmente nas cenas que mostram o lindo amanhecer.

Como imagens valem mais do que mil palavras, aqui estão alguns cenários para vocês se deliciarem.






Essa parece até uma foto de verdade. Impressionante.



Não sei exatamente qual a reputação dessa série no Japão, mas acho que eles deveriam se orgulhar muito, pois ela funciona praticamente como um guia turístico do país! Além de retratar com fidelidade inúmeros pontos turísticos como cidades, parques e montanhas, o anime também mostra todos os preparativos que devem ser feitos para visitar estes locais, especialmente no que se refere às trilhas nas montanhas. Eu falo como um leigo no assunto, mas esse comentário de uma pessoa que escalou o Monte Fuji e se identificou com a obra mostra como ela é fiel à realidade.

O fato é que Yama no Susume acendeu um fogo dentro de mim, uma vontade enorme de visitar todas as montanhas retratadas e muitas outras do Japão. Já sei como me preparar, que equipamento comprar e, mais importante, tenho uma ideia da sensação que me espera no cume dos montes ao amanhecer, mas só saberei de verdade quando experienciar. Agora praticar montanhismo é uma das minhas prioridades para quando estiver no país, junto de visitar a New Tama Town – cidade onde se passa a obra-prima mais importante de minha vida, Whisper of the Heart – e o Museu Ghibli.

O nome em inglês do anime é Encouragement of Climb
e é justamente isso que ele faz – te encoraja a escalar.

Eu adoraria que só tivesse comentários positivos a fazer sobre a arte dessa série, mas infelizmente nem tudo na vida é um mar de flores. Nesse caso, é muito pelo contrário...

UM PROBLEMA CRÍTICO


Após terminar a primeira temporada, vi que tinha um episódio extra e fui assisti-lo. Tudo estava indo bem, até que a maldição de praticamente todos os animes modernos apareceu – o fanservice. Cara... São crianças... E esse estúdio teve a coragem de colocar uma cena de uma das meninas tomando banho em um plano que a mostra de baixo pra cima??? Eu fiquei revoltadíssimo e torci para que isso não voltasse a se repetir na segunda temporada. Porra, é uma obra sobre montanhismo, amizade e garotas fofas. Até NISSO eles conseguem enfiar apelação sexual? VSF!

Infelizmente, minhas preces não foram atendidas e isso persistiu na segunda temporada. Como a Kaede é mais velha, é lógico que a escolheriam para ser a personagem sobressexualizada, colocando-a em roupas que dão destaque às suas curvas. E claro que não poderia faltar a clichêzérrima cena de banho em águas termais. Mas o ápice da desgraça é o episódio 7, em que a Aoi deve comprar um “biquini sexy” para um encontro na piscina com as garotas. Pqp, os planos desse episódio me enojam. Esse foi feito com o único intuito de sexualizar as meninas e . Ele não agrega em NADA na história. Não faz diferença alguma se você pula do 6 para o 8. É deplorável.

Sim, eu me recuso a ilustrar qualquer um desses momentos mencionados.

Graças a todas as entidades sagradas que existem no universo, acho que o estúdio percebeu a merda que eles estavam fazendo e decidiram parar com o fanservice depois desse lixo de episódio. Sério, vocês não tem noção de como isso me incomodava. Quase parei de assistir por causa disso. Por sorte eu continuei, porque, depois que desistem de apelar com sexualidade, é só alegria e amorzinho.

ÁUDIO

A trilha sonora não é nada de outro mundo, mas é bem agradável de se escutar. As composições são variadas – algumas têm o xilofone como instrumento principal para emular aquele som de infância, outras são um jazz leve e suave e outras me lembram as músicas dos jogos Animal Crossing da Nintendo, uma franquia que inclusive é um tanto similar com essa animação por transmitir uma paz de espírito a quem está jogando...claro que eu não perderia a chance de elogiar algo da minha empresa de games favorita, né? :v

As aberturas e encerramentos nunca conseguiram me prender direito (finalmente!), exceto por um dos encerramentos que é praticamente a música tema da série, visto que ela é usada nas duas temporadas. As outras peças são bonitinhas e tals, mas essa me parece ser a que melhor transmite toda a positividade da obra, especialmente por ser cantada pelas dubladoras da Aoi e da Hinata, algo que agrega um valor sentimental ainda maior à canção.

                        

TEMAS

Além das paisagens deslumbrantes, o que mais me fascinou em Yama no Susume foi que, mesmo sendo uma obra despretensiosa e leve, ela aborda temas essenciais para a nossa vida de uma maneira que conseguimos absorver perfeitamente o que está sendo transmitido. A primeira temporada é a que mais surpreende, por conseguir tratar de assuntos como solidão, timidez, insegurança e importância das amizades em apenas 36 minutos! A segunda temporada expande ainda mais a abordagem desses tópicos e acrescenta questões de trabalho e estudos, tudo ministrado com diálogos inspiradores e poéticos.

"Um emprego pode ser difícil, mas você passa por todo tipo
de experiências e isso realmente expande seus horizontes!"

Eu me identifico bastante com a Aoi, no sentido de que sou uma pessoa tímida com poucas amizades e consigo me divertir sozinho, mas eu sei que a sensação dessa diversão individual não chega nem aos pés da felicidade que é se divertir com os amigos. Esse é um dos temas centrais da obra e algo que a Aoi vai percebendo gradativamente e que transforma sua vida completamente.

Antes das amizades: "Me divertirei sozinha!", com uma expressão de felicidade vaga no rosto.
Depois das amizades: "É muito confortante", com uma expressão de contentamento e realização.

A evolução da Aoi ao longo da série é fantástica. Se você compara como ela era no primeiro episódio da temporada 1 e como ela está no último episódio da temporada 2, é incrível. As experiências que teve explorando o Japão, conhecendo novas pessoas e lugares a tornaram mais comunicativa. Sua paixão por montanhas até a impulsionou a procurar um trabalho de meio-período para conseguir arcar com as despesas. Mas tudo isso não veio facilmente, ela teve que superar muitos de seus medos ao longo do processo.

Como superação e frustração andam lado a lado, a obra não poderia deixar de mostrar os dois lados da mesma moeda, afinal, superar medos não é uma das coisas mais fáceis do mundo. Apesar das altas expectativas e força de vontade, a vida não é um conto de fadas, então Aoi acaba não conseguindo ir ao cume do Monte Fuji por causas que talvez pudessem ter sido evitadas, o que a deixou deprimida e sem forças. É algo difícil de ser contornado? Com certeza, mas com a ajuda das amizades que você mais considera, até o intangível se torna palpável.



CONCLUSÃO

Tirando o fanservice detestável que felizmente dura por poucos episódios, eu adorei cada momento de Yama no Susume. Essa é uma animação que derrete seu coração de tanta fofura e te deixa feliz para o resto do dia, além de trazer reflexões importantes para a sua vida. Mas o melhor sentimento que ela me proporcionou foi essa vontade pulsante de trilhar montanhas pelo Japão. É certo que quando eu for para o país vou deixar meu sedentarismo de lado e perder uns quilinhos explorando as mesmas paisagens que essas garotas desbravaram.


-por Vinicius "vini64" Pires


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domingo, 8 de outubro de 2017

Chuunibyou demo Koi ga Shitai!


Inspirado em meus amigos desenhistas que usam o mês de outubro para desafiar a si próprios a postar um desenho diariamente, o famoso inktober, pensei em fazer algo similar, mas semanalmente e com textos. Decidi apelidar essa atividade de writetober........pqp, que nome ruim. Mas enfim! Serão quatro artigos postados ao longo do mês, o primeiro dos quais é sobre um anime que mostra como eu fui me abrindo cada vez mais a esse tipo de entretenimento ao longo dos anos, o que pode ser uma coisa horrível se parar pra pensar, mas calma que eu ainda sei me policiar.

Esses tempos eu decidi assistir a uma animação do famoso estúdio Kyoto Animation, chamada Chuunibyou demo Koi ga Shitai!, de 2012. O estúdio é conhecido por seus diversos animes com personagens fofas e temáticas mundanas (o gênero slice of life) com leves twists de fantasia e mistério. Esse é o primeiro trabalho que assisti deles. Será que foi uma boa escolha?

PERSONAGENS E SUAS HISTÓRIAS

Antes de tudo, acho que preciso explicar que diabos significa o título do anime. A expressão “chuunibyou” pode ser traduzida como “síndrome da oitava série" e se refere aos adolescentes que acreditam ter poderes ocultos e que agem como se fossem um personagem de jogo ou desenho. Se isso já não bastasse, eles acreditam nisso como se fosse sua realidade.

Um caso crítico dessa síndrome pode ser encontrado na Rikka Takanashi, a portadora do Jaoshingan (Olho Tirano), um olho onipotente capaz de distorcer a realidade e desferir os mais devastadores poderes……mas, na verdade, é apenas seu olho esquerdo com uma lente de contato amarela e um tapa-olho.



Em sua busca pelo Horizonte Imaterial, um portal que a levaria a outra dimensão, ela acaba conhecendo Yuuta Togashi, um garoto da sua mesma classe do 1º ano do ensino médio, que antigamente era conhecido como......Dark Flame Master. Só de ouvir esse nome o rapaz já se contorce todo de vergonha, pois era o personagem que vivia quando sofria de chuunibyou, mas para Rikka esse nome faz seus olhos ficarem marejados de emoção. Enquanto Yuuta deseja obliterar isso das suas memórias, a garota quer reviver o “mestre negro das chamas”, então os dois começam uma relação conturbada que aos poucos se desenvolve em um romance desprovido de qualquer normalidade.


Yuuta não é o único assombrado por suas memórias de chuunibyou – esse também é o caso da Shinka Nibutani, a garota mais bonita de sua classe. Assim como o seu colega, tudo o que ela quer é ser uma garota comum no colegial, criar uma boa imagem sua e se tornar popular. Porém, há poucos anos atrás, ela era conhecida como Mori Summer (Verão Florestal), uma maga de coração puro capaz de se comunicar com fadas que viveu por mais de quatro séculos.


Ninguém sequer imaginava que uma garota como ela pudesse ter sofrido da síndrome da oitava-série......até entrar em cena uma estudante DE FATO da oitava-série, Sanae Dekomori. Ela se considera uma serva da Rikka, a quem sempre se refere como Mestra, e tem como inspiração a Mori Summer. Ao ouvi-la replicando todos os discursos que a maga postava em seu blog, Nibutani até rola no chão de tanta vergonha. Isso leva a Dekomori a apelidá-la de falsa Mori Summer, com quem dá início a uma relação na qual sempre estão querendo arrancar o cabelo uma da outra.

Sempre abro um sorrisão no rosto com essas duas.

A fim de encontrar novos membros para buscar o Horizonte Imaterial, Rikka decide criar um clube no colégio, a Sociedade Oriental de Magia, mas ninguém se interessa. No entanto, uma garota também estava com dificuldades em encontrar pessoas para participar de sua sociedade cuja finalidade seria....cochilar. Essa é a Kumin Tsuyuri, estudante do segundo ano cujo maior passatempo é dormir. Ao unir forças com a Rikka e fundar a Sociedade Oriental de Magia e Cochilo (que depois se torna a Sociedade Oriental de Magia e Cochilo de Verão com a participação da Mori Summer), ela conhece todas essas figuras que apresentei e, para o descontentamento do Yuuta e da Nibutani, fica fascinada com o universo criado em suas mentes graças à chuunibyou.


Na segunda temporada é introduzida a Satone Shichimiya, uma garota mágica que atende pelo nome de Sophia Ring SP Saturn VII.....é, já dá pra perceber que ela também sofre de chuunibyou, mas essa é um caso especial, pois foi quem despertou a síndrome no Yuuta durante o ensino fundamental. Os dois tinham uma certa intimidade na época, então quando ela volta mantendo os hábitos antigos, surge um novo impasse na relação do garoto com a Rikka.


A maior inimiga do universo de Rikka é a sua própria irmã, Touka Takanashi, a quem ela se refere como A Sacerdotisa. O motivo de ser considerada uma oponente é pelo fato de odiar a maneira como Rikka age em virtude da síndrome, então sempre tenta cortar as asinhas dela quando começa com os papos de Jaoshingan e Horizonte Imaterial, até porque esse segundo item tem um significado um tanto triste... Porém, é irônico como ela compactua de certa forma com sua irmã ao usar uma concha de cozinha para lutar contra ela.


Quando entrou na escola, a primeira pessoa que recepcionou o Yuuta foi o Makoto Isshiki, um rapaz cujo único objetivo de vida aparente é ser popular entre as garotas. Ele é tão fissurado na causa que chegou a fazer um ranking das mais bonitas da classe. O problema é que o rapaz só sabe observar e é completamente inseguro de si mesmo, não consegue dar sequer um oi para uma menina. Ao conhecer a Kumin, sua ingenuidade e simpatia conquistam seu coração e ele começa a tentar investir na dorminhoca, surtindo resultados cômicos.

Isshiki dando uma de JoJo.

Acho que a única pessoa realmente sã de todos esses que mencionei é a irmã do Yuuta, Kuzuha Togashi. Ela é uma garotinha responsável que estuda, cozinha e faz as tarefas de casa, ou seja, vive uma vida normal, mesmo com tantos loucos em sua volta. O que eu mais gosto na personagem é o jeito como ela ignora completamente a maneira errática que aqueles com chuunibyou agem e conversa com eles como se fossem “pessoas normais”. Fiquei feliz com o tanto que ela aparece na segunda temporada, já que na primeira recebe pouquíssimo destaque.


Esses dias eu estava assistindo a um anime com elementos parecidos (romance, ensino médio, comédia, adolescentes etc), mas não estava curtindo tanto. Foi aí que percebi a grande sacada de Chuunibyou, o diferencial em relação aos diversos animes de comédia com romance colegial – a maneira como a síndrome torna os personagens únicos. Convenhamos, a maioria dos adolescentes dessa geração são chatos e previsíveis, só querem saber de namorar e ter uma vida social comum. Uma animação com personagens assim não me atrai (eu sou fã de realismo em animações, mas não é pra tanto também, né).

Agora se você adiciona à equação essa síndrome à vida mundana de adolescentes, as situações ficam muito mais interessantes. Um simples romance se torna singular, devido à inabilidade da garota de lidar devidamente com a realidade. Uma relação de amor e ódio entre duas meninas em que uma acusa a outra de ser uma maga falsa só pode existir graças à síndrome. O sonho de uma moça de criar um "clube do cochilo" só pode ser realizado porque seus maiores amigos sofrem ou sofreram de chuunibyou... O maior mérito dessa série certamente é a fantástica interação entre os personagens.


Não há dúvidas de que um slice of life é mais impactante quando ele remete fielmente à vida real, como é o caso de diversos dos animes do World Masterpiece Theater que eu escrevi sobre aqui no blog, mas isso não invalida a existência destes que tomam algumas liberdades comédicas como é o caso de Chuunibyou, o qual mesmo assim não foge muito de uma realidade aceitável da vida no ensino médio. O foco principal é no lazer e no romance que os jovens procuram durante essa fase de suas vidas cuja maior preocupação deveria ser os estudos.

Eu li muitas críticas negativas sobre a segunda temporada, nas quais a maioria reclama da ausência de história. Parece que o pessoal não percebe que o anime em questão é do gênero slice of life, então não há necessidade de criar novamente um drama que gire o enredo como foi na primeira temporada. O foco aqui é o desenvolvimento do romance Yuuta & Rikka e as situações que vivem diariamente, sozinhos e juntos de suas amizades. A relação da Dekomori com a Nibutani também é explorada e expandida consideravelmente, com um episódio lindo que mostra a importância de uma para a outra. Poxa, essa temporada tem até uma competição de cochilo da Sociedade Oriental de Magia e Cochilo de Verão contra um clube de outra escola! Não tem como não amar isso!

Graças a essa temporada pudemos rir por mais 13 episódios com esse grupo
e as mais variadas situações.

Muitos ainda reclamam da lentidão com que o relacionamento do Yuuta com a Rikka progride, querendo que eles se beijem logo, mas todos que desejam isso falham em compreender estes personagens, pois não são um casal comum daqueles que você encontra todo dia na rua. O chuunibyou da menina é uma forte barreira entre os dois, que a impede de se expressar adequadamente, mas mesmo assim o Yuuta não tenta forçar ou apressar as coisas, diferente do que muitos “caras normais” fariam, pois ele a ama e compreende as dificuldades dela.

"Mesmo que seja lentamente, de pouquinho em pouquinho,
algo grande está surgindo entre nós".

ESTILO

Chuunibyou faz parte de uma denominação de animes que se popularizou muito a partir dos anos 2000, chamada moe. Um dos significados desse termo é o de criar afeição a um personagem de anime ou jogo num sentido romântico, que não é o meu caso, mas também pode ser usado para descrever um anime com enfoque em personagens fofas fazendo coisas fofas, algo que essa série tem aos montes, especialmente no que se refere à Rikka, Dekomori e Kumin. Eu não reclamo, pois personagens femininas geralmente são minhas favoritas e adoro coisas fofas, então é o “melhor dos dois mundos”.


O trabalho de animação não deixa a desejar – os personagens são genuinamente expressivos, seja em seus movimentos quanto em suas expressões faciais. Eu fiquei impressionado em como o estúdio dá atenção até para os mínimos detalhes, como por exemplo em uma cena em que a Dekomori lacrimeja levemente ao ponto de quase não ser possível ver a lágrimas, aí no plano seguinte, em que a personagem não é nem o foco da atenção, ela enxuga cada um de seus olhos delicadamente. Adoro esse tipo de preciosismo, isso só agrega na sua imersão com a obra.

A animação durante as seções fantasiosas de lutas são um show a parte, coreografadas de um jeito que deixa muito anime shounen no chão. Mas o que mais me cativa nesses segmentos é a maneira como eles acabam. Tá rolando explosões, luzes e destruição pra tudo quanto é lado, aí quando o golpe final vai ser desferido, um corte seco mostra duas garotas brincando no chão. As vezes a edição até alterna entre realidade e fantasia rapidamente, o que sempre produz um resultado engraçado de se ver.


Um elemento muito presente nos animes da atualidade é o famigerado fanservice, ou seja, quando exploram as personagens femininas de maneira fortemente sexualizada. Esse é um dos principais motivos por eu ter desviado por tanto tempo de animes modernos, mas, felizmente, Chuunibyou é bem sutil quanto a isso, se comparado com outras produções similares. O estúdio deixou pra abusar disso nos encerramentos e nas artes promocionais, porque, querendo ou não, isso atrai público, mesmo que seja pelos motivos errados.

O máximo que a série mostra são decotes, pernas em evidência e as cenas de praia com biquínis que se tornaram obrigatórias de uns tempos pra cá, mas nunca chega a ter nada apelativo como planos que mostrem calcinhas e as garotas em situações embaraçosas como se vê em muito anime por aí. Só tem um único momento, na segunda temporada, em que eles forçaram a barra nesse sentido em uma cena na praia (tinha que ser, né) com a Dekomori que me deixou puto ao ponto de eu cogitar parar de assistir. Ainda mais com ela que é a minha personagem favorita!

"Não se atreva a me desenhar desse jeito de novo, DEATH!"

ÁUDIO

A trilha sonora da série me agradou ao ponto de eu procurá-la após terminar de assisti-la e devo dizer que não é tudo que assisto que tem esse privilégio, hein. 60% das músicas são alegres e alto astral, variando entre peças agitadas (momentos mais comédicos e descontráidos) e calmas (trechos de romance e intimidade); 30% são épicas, usadas nas seções de ação que se passam na imaginação chuunibiyou-ística; e os outros 10% são músicas tristes para os momentos mais dramáticos.

                           


Pra variar, também adorei as temas de abertura e encerramento. As aberturas são um pop eletrônico que me remetem aos remixes de músicas de jogo que eram muito comuns na década passada. A da segunda temporada até incorpora uma orquestra em alguns trechos para dar um ar de grandiosidade que, apesar de não combinar muito com o conteúdo da série, me agrada bastante. Já o gênero dos encerramentos é rock pesado, mas com um twist interessante – as músicas são cantadas pelas dubladoras das garotas!

                               

E falando nisso, esse é um ponto que preciso elogiar – a dublagem (japonesa, só pra não confundirem), em especial das meninas principais. O trabalho dos dubladores também é ótimo, seja o do Yuuta quando ele incorpora o Dark Flame Master ou o do Isshiki e seu sotaque do interior, mas o das garotas é o que mais se destaca. Os grunhidos da Rikka quando se machuca, a voz fofíssima da Kumin, as reações de vergonha da Nibutani ao lembrar de seu passado e o ênfase que a Dekomori coloca quando fala “desu” para parecer que está dizendo “DEATH!”... As vozes únicas de cada uma delas transmite suas personalidades perfeitamente.

Para finalizar a seção, preciso compartilhar o encerramento dos especiais da segunda temporada, com direito a uma música carnavalesca contagiante e overdose de fofura na animação da Rikka chibi dançando.

                              

IDENTIDADE INTERIOR

Voltando ao título, o nome em inglês é Love, Chuunibyou and Other Delusions e este descreve com excelência o conteúdo da série, visto que os temas principais são romance, a síndrome que os personagens sofrem e as desilusões que provêm desses dois elementos. Por se envergonhar do seu passado com chuunibyou, Yuuta faz de tudo para se esquecer disso e se tornar um garoto comum, o que prova ser uma tarefa difícil quando Rikka entra em sua vida. Ainda assim, depois que começa um relacionamento com ela, tenta mostrá-la o “jeito certo” de se viver, sem loucuras e brincadeiras, apenas maturidade e normalidade.

- Bonito, não é mesmo?
- São apenas carros. O reflexo de seus faróis.

Com a imaginação, é possível transformar o mundano em mágico, mas isso se perde quando
só se tem olhos para a objetividade da vida comum.

Porém, nessa busca incessante pelo ordinário, você acaba abrido mão da individualidade, daquilo que te torna único. Ao ver como Rikka estava se habituando forçadamente a agir normalmente, infeliz, Yuuta se dá conta disso. Existem tantas pessoas iguais no mundo, não há motivos para querer se tornar “só mais um”. Claro que na vida real você não pode agir como se fosse um “mensageiro das trevas” ou algo do tipo, mas a mensagem da série é – se você se sente diferente dos outros, abrace essa diferença. Não tente forçar ser quem você não é.

CONCLUSÃO

Frequentemente eu me pego reassistindo algumas cenas no YouTube, que ainda me divertem bastante. Isso é o que importa. Chuunibyou pode não ser uma animação inspiradora que mudou minha vida, mas as histórias cômicas desses personagens certamente me proporcionaram muita felicidade e não há nada que faça um bem maior a uma pessoa do que ser feliz.



-por Vinicius "vini64" Pires



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